Prefeitura e Cremesp vão apurar morte de rapaz


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A Secretaria Municipal de Saúde e o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) abrirão sindicâncias para apurar a morte do sapateiro Ederson Aloísio da Silva, 23. O rapaz foi atendido 12 vezes, por seis dias consecutivos, no Pronto-Socorro “Dr.Janjão”, com dores abdominais e vômito. Sem que sua apendicite fosse diagnosticada, Ederson morreu na madrugada de quinta-feira, na Santa Casa, em decorrência de uma infecção generalizada. Alexandre Ferreira, secretário de Saúde, disse ontem que os boletins de atendimento e exames feitos por Ederson estão sendo analisados e, a princípio, não foi identificado nenhum erro médico. “O dois primeiros exames - dos dias 12 e 13 - estavam normais. No dia 17 foi constatada uma alteração hepática, por isso foi ele encaminhado à Santa Casa”. De acordo com o secretário, seis médicos atenderam Ederson no PS e todos retrataram o caso como infecção urinária. “Recolhemos esses exames, a declaração de óbito, que não menciona quadro de apendicite, e vamos apurar. Vamos conversar com todos os médicos que o atenderam na Santa Casa e no ‘Janjão’. A Comissão de Ética será ouvida, o Cremesp também será contatado. Se for constatado erro no processo de atendimento, vamos tomar algumas atitudes”, disse o secretário sem confirmar que atitudes ou punições são cabíveis para o caso. O Cremesp também instaurará sindicância para apurar o que acarretou a morte de Ederson. Lavínio Nilton Camarim, conselheiro estadual do Cremesp, disse que o relato da família feito à reportagem do Comércio publicada ontem será utilizado como denúncia. “Solicitamos ainda que a própria família, se desejar, faça essa denúncia ao Cremesp, na Voluntários da Franca, no 11º andar do Edifício Dom Pedro. Mas nós, certamente, já estamos instaurando sindicância”. REVOLTA DA FAMÍLIA João Carlos Aguiar, sogro de Ederson; a mãe, Maria Helena da Silva, e a mulher, Liliane Aparecida de Araújo Silva, que acompanharam de perto os atendimentos dispensados ao rapaz, acreditam que houve negligência e omissão de socorro dos médicos do “Janjão”. O sogro de Ederson disse que espera apuração do caso, mas não acredita em punição. Aguiar disse ainda que é remota a possibilidade da família pedir indenização. “Você já viu algum médico da saúde pública ser punido? Quem paga pelos erros somos nós, a balança sempre pesa para o lado mais fraco. É uma luta desigual e que não irá trazer meu genro de volta”, desabafou. A mãe do rapaz concorda que qualquer atitude que se tome sobre o caso não trará de volta a vida do filho, mas acredita que a punição aos médicos deve acontecer para evitar que esse tipo de situação se repita. “Gostaria que as autoridades tomassem uma providência para que outras mães não passem o que estou passando. Para que outros jovens morram por negligência médica”. Liliane da Silva, que foi casada por três anos com Ederson, com quem tem uma filha de 1 ano e meio, continua revoltada. “Vários médicos o atenderam e fizeram a mesma coisa, falaram para ter paciência e continuar tomando os remédios. É um absurdo”.

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