Por dentro de um BigMac


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Conte até 60: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... 60. Pronto! Uma pessoa acaba de comer um sanduíche do Mc Donald’s em Franca. Todos os meses os dois restaurantes da rede americana produzem na cidade 60 mil lanches, ou seja, um pouco mais de um lanche por minuto. Desse total, cerca de 16 mil são Big Mac’s, o preferido aqui e no mundo inteiro. É muito. Se cada lanche dos 60 mil produzidos no mês estiver com uma pessoa diferente, elas seriam suficientes para lotar quatro vezes o estádio do Lanchão (que tem capacidade para 15 mil pessoas). A marca é tão conhecida que muitos mitos foram construídos em cima dela. Tem quem afirme, com certeza, que o hambúrguer é feito de carne de minhoca ou que o frango criado para virar Mc Chicken não tem ossos, uma espécie meio alienígena. A empresa garante que o lanche é feito 100% de carne bovina, basta conferir na embalagem. Uma coisa é certa: o Big Mac tem dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles, num pão com gergelim - você pode até ler cantando. Toda essa mistura é uma receita criada em 1967 por Jim Delligatti, na Pensilvânia que mudou a história da alimentação no mundo e criou muita polêmica. “O lanche possui gordura saturada, encontrada na carne e no queijo, o que faz mal para o coração. E por isso precisa ser evitado”, alertou a nutricionista de saúde preventiva do hospital Unimed, Pâmela Ortiz de Freitas Sanches. Enquanto Pâmela alerta, a nutricionista Cínthia Parisi diz que o lanche tem seu lado bom. “As proteínas encontradas na carne, o cálcio e ferro presentes no queijo, fibras na alface que auxiliam na digestão, ferro e água na cebola. Todas estas, são fundamentais para qualquer alimentação”. As duas concordam, no entanto, que é preciso muita moderação e recomendam que o Big Mac seja devorado, no máximo, uma vez por mês. “Não é ideal que a pessoa substitua um prato de comida pelo lanche. Há alta concentração de colesterol - principalmente no molho especial, em que há 120 calorias”, disse Cínthia. O tema já virou até documentário: o Supersize-me! O cineasta (e maluco) Morgan Spurlock comeu, durante um mês inteiro, só Big Macs e batatas fritas nas três refeições do dia. Detalhe: ele era vegetariano. O resultado foi um Morgan 11 quilos mais gordo, com problemas de estômago, pressão e um aumento considerável de colesterol. Tudo isso lhe rendeu muita bilheteria e tornou o documentário o quarto mais visto em todo o mundo em 2004. Em termos de calorias - e só por essa razão - o Big Mac poderia substituit uma refeição (uma pessoa precisa ingerir de 2000 a 2500 calorias por dia, cerca de 1000 calorias por refeição). Em 214 gramas, o lanche possui 504 calorias e, se acompanhado com batata frita e refrigerante, a alimentação ganha um “plus” e chega a mais de mil calorias. O maior problema, no entanto, é repetir o cardápio e deixar de comer nutrientes presentes em outros alimentos. O próprio Mc Donald’s sofreu tanta pressão que decidiu colocar saladas, sucos e frutas no cardápio. Mas não pense que comer uma maçã depois do Big vai resolver o problema. Para quem não agüenta esperar um mês para comer o próximo, o professor de Educação Física da Unifran, Carlos Felício, disse que o valor calórico do sanduíche pode até ser eliminado, mas é preciso muita dedicação. “Vai depender do condicionamento físico de cada pessoa e do exercício que ela fizer. Por exemplo, uma corrida de 40 minutos com uma intensidade alta pode eliminar do organismo as calorias do lanche”, disse Carlos. Em tempo: não coma um Big e volte correndo para casa que você pode passar mal.

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