Dia 27 de setembro de 2007. 3 horas da manhã. O alarme do celular tocou e despertou esse (agraciado) repórter, pois já era hora de partir. Os próximos quatro dias, em um dos resorts mais luxuosos da América Latina, o Transamérica Ilha de Comandatuba, até que não era uma má idéia. Ao receber o convite para a viagem, sabia que iria encontrar regalias não muito comuns por aqui, como, por exemplo, quatro opções de requintados restaurantes, bares paradisíacos à beira-mar e até um campo de golfe, eleito pela revista especializada Golf Digest International como terceiro melhor do Brasil. Voltando à realidade, às 5h30 daquele dia chegamos de carro ao Aeroporto “Leite Lopes”, em Ribeirão Preto.
A vontade de ver mais uma vez o mar era grande. Mas um frio na barriga veio em seguida, ao saber que iríamos voar em um modelo de avião bem conhecido dos brasileiros: o Airbus-A320, aquele mesmo do trágico acidente do dia 17 de julho, e que iríamos descer no mesmo lugar do fatídico dia: Aeroporto Internacional de Congonhas, São Paulo. Nada que pensar no mar azul e sol da Bahia não me fizesse ficar mais calmo. A viagem para a capital foi tranqüila. Ao chegar, longas três horas se passaram até o embarque para o destino.
Duas horas e dez minutos depois, e cruzando três Estados, a Ilha de Comandatuba já era visível. Charmosa e imponente, com seus 21 quilômetros de praias desertas, no meio do nada, fez com que todos parassem por alguns instantes para apreciá-la. Às 12h20, o Airbus-A320 pousou no maior aeroporto privado do País - com uma pista de 1900 metros.
Pronto. Eu e o fotógrafo-companheiro Dirceu Garcia já estávamos em solo baiano. Comandatuba é um vilarejo localizado no município de Una, ao sul da Bahia e a 70 quilômetros de Ilhéus.
A travessia para a ilha é feita apenas de balsa (exclusiva do hotel). Quem não for hóspede do Transamérica deve alugar um barco para atravessar. A recepção calorosa de baianas, vestidas com trajes típicos da região, ao som de Ivete Sangalo, animou a todos, com direito a champanhe e muita água de coco.
Em seus milhares de metros quadrados, é quase que impossível transitar a pé pelo resort. Para comodidade e lazer dos turistas, vários trenzinhos giram de um lado para outro a todo momento. Foi assim que chegamos ao lobby do hotel, passando pelos mais de 25 mil coqueiros plantados ali. No saguão, conhecemos nossos colegas jornalistas, que nos acompanhariam também na aventura.
O Transamérica Comandatuba, único hotel da ilha, abriga 363 acomodações: são 239 apartamentos, 111 bangalôs e 13 suítes. Ficamos instalados em um Bangalô Luxo, afastado do corpo central do hotel. Assim que nos acomodamos, fomos para o primeiro almoço no Restaurante da Praia. Ali, uma dúvida que me preocupava veio por terra: era tudo na “faixa”, menos bebidas alcoólicas.
Mesmo com a chuva do primeiro dia, fomos convidados para conhecer o Spa L’Occitane. O resort foi pioneiro na instalação de um spa dentro de suas dependências. Conhecemos todas os detalhes do local e, no final, recebemos uma bela massagem. A noite de quinta feira chegou, e ficará para a história. O fotógrafo-companheiro Dirceu se atreveu a dançar uns passos de forró no Bar do Canal, que todas as noites tem uma programação dançante diferenciada à beira mar. A animação seguiu até o sol raiar.
ENFIM, O SOL
A sexta-feira, apesar de todo o luxo, começou estranha e chuvosa. Mas a bem-humorada assessora de imprensa do resort, Hed Ferri, que nos acompanhou durante toda a viagem, nos alertou: “Aqui é assim mesmo. De uma hora para outra vem o sol”.
E instantes depois, eis que surge o “Astro-Rei”. Aquela manhã era especial. Chegamos ao restaurante Giardino, que fica no corpo central do hotel, para o café-da-manhã. À nossa espera, estava o diretor do Transamérica Ilha de Comandatuba, Thomas Humpert. Ele, que está por lá desde 2004, passou por importantes empresas como o Hilton International e a Costa do Sauípe. Por mais de uma hora, com voz forte e posições firmes, falou de investimentos, estrutura física, colaboradores e culpou a crise aérea pela queda de clientes nesse ano. “O caos afetou muito a vinda de turistas. Em 2007 ficaremos abaixo da expectativa”, disse. Mesmo com a crise, as instalações estavam lotadas. Convenções de duas grandes empresas estavam acontecendo simultaneamente.
Mas o que queríamos mesmo era tomar um sol. Com a tarde livre, meu companheiro e eu chegamos à praia particular. E me atrevo a dizer: “Foram os 21 quilômetros de areia mais bonitos que já vi”. Onda vai, onda vem, e tempo, ainda meio fechado. Mas passamos a tarde ali, até o próximo compromisso: conhecer os bangalôs e apartamentos mais caros do hotel. E, olha, o que vimos é para poucos mortais. Suítes absolutamente bem modeladas e grandes, com televisores, banheiras, closets... A diária da mais cara? R$ 3,5 mil. Só para constar, a apresentadora Hebe Camargo já se hospedou por lá.
A noite chegou, a fome também. Mais uma vez, o restaurante Giardino para o jantar. A cozinha baiana era o tema da noite. Pratos típicos do lugar, como acarajé e vatapá, compunham a mesa. A sexta já terminava e fomos para o evento de uma das empresas em convenção, que acontecia em um quiosque acoplado ao hotel. Os jornalistas “bicões” entraram de graça.
SÁBADO DE SURPRESAS
O sábado amanheceu com cara de sábado. Muito sol, praia, mulheres bonitas e passeio de barco. Para os amantes de esportes náuticos, o resort possui um departamento exclusivo com prática de pescas oceânicas, passeios de barco à vela, caiaque, jet-ski, wakeboard e esqui aquático.
Saímos com uma lancha Mares 30, de dois andares, em direção ao norte da ilha. O sol era forte e, durante o passeio, deu para pegar uma “corzinha”. Por mais de 40 minutos, cortamos os manguezais e conhecemos profissionais que fazem da caça dos caranguejos o seu sustento. Durante o trajeto, nossas colegas jornalistas mostraram o corpão em microbiquínis e atraíram a atenção de todos.
De volta ao resort, aproveitamos a tarde nas piscinas. A área de lazer dispõe de duas opções: uma piscina semi-olímpica, com toboágua e cachoeira; e outra a poucos metros separada por coqueiros, com cerca de 1.200 metros quadrados, onde todas as manhãs os hóspedes fazem aulas de hidroginástica (não vou mentir, eu também fiz).
Antes do final do dia, chegamos ao Comandatuba Ocean Course. O campo de golfe de que falamos no começo da matéria. Exclusivo, com 18 buracos de categoria internacional, foi projetado e construído entre o mar e o mangue. Os coqueiros centenários, lagoas e o vento dão o charme ao gramado. O campo está credenciado para receber disputas do circuito internacional, com uma área total de 780 mil metros quadrados, sendo 220 mil apenas de grama.
Após uma rápida aula, já estávamos prontos para o jogo. E que jogo. Quase uma tragédia. O golfe é para poucos. Para o leitor que quiser aproveitar a regalia, o preço da partida: R$ 170 para jogar os 18 buracos. Não podemos nos esquecer das aulas básicas, que são outros R$ 83 durante 50 minutos. Fiquei com a impressão, ao final do jogo, que não vou seguir esse esporte.
O dia não havia terminado. A noite prometia um dos momentos mais esperados dos quatro dias de viagem: show ao vivo, na praia e para poucos, da banda Paralamas do Sucesso.
HORA DE DAR TCHAU
Acordamos no bangalô número 610 com aquelas caras de velório. Dirceu disse: “Hoje é o ultimo dia”. Pois bem, teríamos que aproveitar bastante. Apesar do pouco tempo, aproveitamos o domingo ensolarado, fomos para a piscina, mais uma vez à praia, e de volta à piscina, todos os companheiros jornalistas fizeram a “dança do siri”, aquela mesmo do Pânico na TV. Sempre coordenados pela editora do jornal Gazeta de Limeira, Fabiana Lucato.
Mais um pouco de sol e já eram 11h30. “Acabou gente, vamos embora senão perdemos o avião”, resmungou Thais Medina, jornalista de um site de turismo de São Paulo.
Para não dizer que falei “apenas” das flores, a volta foi um tanto complicada. O caos aéreo, como disse o diretor do resort Thomas Humpert, realmente atrapalha. De Comandatuba para Congonhas em São Paulo, duas horas e meia. Chegamos à capital às 18h15. O companheiro-fotógrafo e eu ficamos mais de três horas esperando a conexão para Ribeirão Preto. Quando já estávamos no Airbus, que nos traria de volta para o interior, mais 30 minutos para decolar. Como dizem por aí, tudo tem seu preço. Mas até que não foi tão caro assim.
SEJA UM REI
Se você quiser curtir as maravilhas do Transamérica Ilha de Comandatuba, acesse o site www.transamerica.com.br. Há pacotes a partir de R$ 3.268, em bangalô superior, inclusos passagem aérea, sete dias de hospedagem, meia pensão e traslados. O preço é por pessoa. O repórter Leandro Vaz e o fotógrafo Dirceu Garcia, do Comércio, viajaram a convite do resort.
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