Continua a farra do boi


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No mês de abril, a maioria dos operadores do mercado financeiro - analistas, economistas, estrategistas - já tinha conseguido cumprir suas metas do ano. E não foram metas modestas. Principalmente os bancos estrangeiros, que fixaram metas elevadíssimas de desempenho. Mas a política monetária do Banco Central permitiu ganhos dos quais nem o mercado se supunha capaz. Primeiro, ao manter as taxas de juros Selic muito mais elevadas que as taxas internacionais de equilíbrio. Chama-se de “taxa de equilíbrio” aquela que não permite ganhos de arbitragem - isto é, operações pelas quais os investidores tomam recursos em outras moedas, convertem em dólares, aplicam em juros no Brasil e, na saída, conseguem dólares mais baratos para comprar e remeter. *** Com a queda do ‘risco Brasil’ e das taxas de juros americanas, a taxa de equilíbrio brasileira caiu substancialmente. Como o BC manteve as taxas internas acima, atraiu uma avalanche de dólares que ajudou a valorizar o real - proporcionando o segundo ganho expressivo aos especuladores. Há uma regra de ouro no mercado financeiro, de que as aplicações precisam se equilibrar entre liquidez (facilidade de resgatar o dinheiro), rentabilidade e segurança. Aplicações mais seguras oferecem menos liquidez e menos rentabilidade. Aplicações de maior risco compensam oferecendo maior liquidez e rentabilidade. No caso brasileiro, o BC assegurava plena rentabilidade (as mais altas taxas de juros do planeta), plena liquidez e plena segurança - já que as contas internas e externas estão em ordem. *** No mercado em geral, considera-se a taxa de equilíbrio como pouco acima de 9,5% ao ano. Quando o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) define um determinado ritmo de queda da Selic, o mercado estima quanto tempo levará para chegar à taxa de equilíbrio, e vai reduzindo suas posições especulativas no país. No ano que vem, pela primeira vez cessarão as condições que permitiam esse ganho fácil ao mercado. A Selic se aproximaria da taxa de equilíbrio e o dólar pararia de cair em algum momento, acabando com o jogo fácil. Aí o mercado terá que mostrar profissionalismo, buscando alternativas em ações, fundos e outros investimentos que exigem muito mais do que meramente “adivinhar” a trajetória da taxa de juros - que o BC não faz questão de esconder de ninguém. É isso que explica o tremendo alarido que se forma sempre às vésperas das reuniões do Copom, com previsões de volta da inflação, de volta do fim do mundo. Ontem, um economista ouvido pela imprensa dizia que os investimentos brasileiros estão em 18% do PIB. Para não haver inflação, o montante teria que estar em 20%. Puro chute, mas que serve para alimentar. CPMF E TRIBUTOS O governo não pode abrir mão, agora, da CPMF. Por outro lado, haverá aumento na arrecadação de impostos, devido ao aquecimento da atividade econômica. Em breve, um choque fiscal de proporções inéditas, com a implantação da nota fiscal eletrônica. Em vez de votar contra a CPMF, o acordo a ser selado é em torno de metas de arrecadação que permitam reduzir as alíquotas assim que a arrecadação se realizar. HIDRELÉTRICA DO MADEIRA - 1 O governo Lula conseguiu passar por uma prova de fogo, com a redução substancial do valor dos pedágios. Agora, passará por desafio maior. No dia 29 de novembro haverá a licitação da Hidrelétrica do Rio Madeira. Auditorias do Banco Mundial fixaram um valor de referência para o kW/h. Depois, a EPE (Empresa de Planejamento Energético) ficou em 25% menor. E o TCU reduziu mais ainda. HIDRELÉTRICA DO MADEIRA - 2 Devido ao sistema de chuvas na Amazônia, se a licitação não acontecer, perder-se-á um ano de trabalhos - crucial para impedir crise energética em 2010. Concorrentes sustentam que, se o preço mínimo adotado for o do TCU, inviabilizará a licitação. As condições da licitação serão publicadas na próxima quinta-feira no Diário Oficial da União. A capacidade do complexo será de 3.150 mw a partir de 2013. LADEIRA ABAIXO Ontem o dólar fechou a R$ 1,788, o menor valor desde agosto de 2.000. Foi o primeiro movimento após a decisão do Copom de não reduzir a taxa Selic. Em algumas semanas estará testando o piso de R$ 1,70. De nada adiantarão as compras de dólares pelo Banco Central. Com o diferencial de juros, e a queda do risco Brasil, as compras do BC ajudarão apenas a pavimentar os ganhos dos especuladores. INFLAÇÃO EM BAIXA Na segunda quadrissemana de outubro, o Índice de Preços ao Consumidor da FIPE teve alta de apenas 0,19%, contra 0,26% do início do mês. De sete grupos analisados, quatro mostraram queda. Alimentos, que vinham pressionando os índices, caíram de 0,61% para 0,39%. Os dois com aumento, Educação e Transportes, tiveram variações inexpressivas de 0,01 ponto. REALIZAÇÃO DE LUCROS Resultados corporativos ruins levaram os mercados internacionais a realizar lucros nesta quinta-feira. Os balanços de corporações como Bank of America, SAP e Pfizer derrubaram as negociações nos Estados Unidos e na Europa, e conseqüentemente puxaram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) para baixo, fazendo com que o indicador brasileiro atingisse -1,98% na mínima do dia.

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