Rapaz morre de apendicite após passar 12 vezes pelo ‘Dr. Janjão’


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REVOLTA - Liliane de Araújo mostra a foto do marido Ederson durante o velório do rapaz na tarde de ontem. “Ele não agüentava de dor e não descobriram o que ele tinha”
REVOLTA - Liliane de Araújo mostra a foto do marido Ederson durante o velório do rapaz na tarde de ontem. “Ele não agüentava de dor e não descobriram o que ele tinha”
O pespontador Ederson, 23, era um rapaz saudável. Há uma semana, porém, passou a ter cólicas e vômitos. Procurou, segundo a família, 12 vezes em seis dias o Pronto-Socorro “Dr.Janjão” para saber o que tinha. Foi atendido em todas, mas não teve diagnóstico. A doença, corriqueira, era uma apendicite, que só foi descoberta ontem. Era tarde. O quadro evoluiu para uma infecção generalizada e, ontem mesmo, ele morreu. Revoltada, a família acusa o PS de negligência e omissão e responsabiliza os médicos do local pela morte. “Durante seis dias, pelo menos duas vezes ao dia, levamos ele ao PS. Ontem, quando finalmente ele foi internado, não deu tempo de salvá-lo, perdi meu marido”, disse, entre lágrimas, Liliane Aparecida de Araújo Silva. Ederson começou a vomitar e sentir dores abdominais na noite de quinta-feira da semana passada. Na manhã seguinte, pediu à mulher que o acompanhasse até o pronto-socorro. Lá, o sapateiro passou por atendimento médico e foi liberado. À tarde buscou novamente socorro do PS, tomou soro e medicamentos para aliviar a dor e, novamente, voltou para casa. No sábado, as dores se intensificaram e, de volta ao “Dr.Janjão”, o rapaz fez exames de sangue e urina. “A médica disse que o exame não deu nada e suspeitou de infecção de urina. Os enfermeiros medicaram e disseram para ele ter paciência que a dor ia passar. Não passou e, à tarde, voltamos ao PS”, conta Liliane. Nos dias seguintes - domingo, segunda, terça e quarta-feira - a cena se repetiu. Liliane conta que iam ao PS de manhã e à tarde. “Davam remédio para a dor e falavam para a gente voltar se fosse preciso. Cheguei a pedir no PS para encaminhá-lo à Santa Casa, mas os médicos diziam que uma dorzinha não era motivo de internação”. Preocupada, a mãe do rapaz, a dona de casa, Maria Helena da Silva, também passou a acompanhá-lo nas idas e vindas ao PS. Na quarta-feira, depois de voltar mais uma vez do “Janjão”, ela procurou o médico do PSF (Programa Saúde da Família) do Jardim Palma, Flávio Eduardo Moreira, que foi até a casa de Ederson, no Jardim Brasilândia. O médico suspeitou de infecção grave e fez uma carta ao PS para que autorizasse a internação do rapaz para a realização de exames. “Era um caso que precisava investigar melhor, mas não dava para confirmar que infecção era. Em alguns casos, os sintomas da apendicite confundem-se com outros quadros clínicos”, disse Moreira. A assessoria de imprensa da Santa Casa confirmou que a morte do pespontador se deu por uma septicemia (infecção generalizada), às 2h10 da madrugada de ontem. Ele havia sido internado às 20h18 de quarta-feira. “O laudo médico consta que o Ederson teve uma parada cardiorrespiratória quando se dirigia ao Centro Cirúrgico, foi reanimado, operado, constatada a infecção de apêndice, mas, depois da cirurgia, ele teve outras duas paradas cardiorrespiratórias”, disse Jacinta Sad, assessora da Santa Casa. Ederson deixa a mulher e uma filha de 1 ano e meio. Ele será sepultado hoje, às horas, no Cemitério Santo Agostinho.

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