Aos mestres, com carinho


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Descalços, literalmente como carmelitas entregando a vida por suas crenças na educação como o caminho certo rumo à cidadania, professoras e professores marcaram folhinha neste15 de outubro, sob as bênçãos e proteção de Santa Tereza D’Ávila. Despojados e com voto de pobreza, uma grande maioria caminha pela via das muitas pedras, significadas pela falta de estrutura, pelos pátios da delinqüência infanto-juvenil, pelos baixos salários, enfim, pelo acúmulo de omissões dos poderes que visam fragilizar o sistema educacional como estratégia de perpetuação do voto. Similitudes à parte, tudo a ver! A história conta que Dom Pedro I, aos 5 de outubro de 1827, cria por Decreto Imperial o Ensino Público no Brasil. Desde Dom Pedro I que todo mundo governa por decreto, parafraseando a poeta Elisa Lucinda em seu “Só pra Sacanear”, quando diz que “desde Cabral todo mundo rouba”. E decreto, mesmo, é para sacanear a democracia, fingindo que deixa o povo governar e o povo fingindo que governa, através dos seus escolhidos, oriundos da mesmice. Estabelece currículo mínimo para o ensino das ‘primeiras letras’ em todas as vilas e lugares mais populosos do império. Mais populosos, quer dizer que, desde Pedro I, o ensino não é para todos. Se o currículo é mínimo, com certeza desde Dom Pedro o salário do docente não é decente (sic), de novo parafraseando a poeta. Esta riqueza histórica engrossou a justificativa do projeto de Lei, enviado à Assembléia Legislativa de São Paulo, através de intensa mobilização liderada pelo emérito professor Alfredo Gomes. A “Comissão Pró Oficialização do Dia do Professor”, com intensa atividade, viu concretizado seu objetivo aos 13 de outubro de 1948 na Lei Estadual de nº 174. Comemorado mundialmente aos 15 de outubro, foi instituído nacionalmente por meio do decreto nº 52682, de 1963, pelo então presidente da ‘Réspublica’ João Goulart. Justificando, a referência é por conta de uma proposta aqui desse canto da cidadania. Quem sabe se passarmos a usar Rés, ao invés de Re, lembraremos aos esquecidos aquilo que a rés contempla como coisa pública e não privada, sem trocadilhos. Santa Tereza D’Ávila teve em São João da Cruz a parceria ideal para as reformas da ordem dos Carmelitas Descalços, encontrando muitas pedras pelo caminho, custando feridas e dores, considerando que não existe luta sem que alguém saia ferido. A Educação teve muitos Joões da Cruz, um deles um libelo: Paulo Freire. Mais do que uma prática de alfabetização, desenvolveu uma pedagogia crítico-liberadora, colocando o sujeito como centro de sua história. Sub-representados politicamente, o representante dos ideais da educação, Cristóvam Buarque de Hollanda, derrotado nas eleições para presidente, não teve mais do que dois milhões de votos. A Regra da Ordem dos Carmelitas Descalços vai ao encontro da descoberta de caminhos para melhor conduzirem os que lhes foram entregues à perfeição no amor a Deus e ao próximo. A Regra da Educação, sem dúvida, é transformar mãos pedintes e fazê-las mais humanas, a ponto de conferir-lhes o poder de transformar o mundo. Eis aí a convergência. VAIA JUSTA Poucas e discretas manifestações, que se deram no âmbito dos seus claustros de oração, que se traduzem nas salas de aulas. Os que são pródigos em “puxasaquices e afagação de egos” se distraíram. O único reconhecimento justo e merecido vem do sorriso da criança, que corre em sua direção ao abraço. Ostracismo conveniente a interesses, pois tornar visível os caminhos e ferramentas importantes à emancipação do homem pode significar um risco à manipulação do voto. Vaia mais que justa a quem se esqueceu da primeira professora, principalmente aquela que lindamente canta o Lupiscínio Rodrigues, que enfeita os serestados cantores ‘Que saudade da professorinha que me ensinou o be-a-bá, onde andará?’. Caramba, desta vez foi muito mal por aqui! PAUSA PARA O CAFÉ Hoje, sorvendo o café, não com a vida maravilhosa de educadora que ela viveu, mas sim, com a morte que a levou... Maria Níria Ribeiro Ramos, querida professora Níria, enérgica e competente, fiel aos seus ideais. Seu legado em forma de ensino, educação, ética e compromisso, deixado sobre os bancos escolares que se maravilharam, servirá de séqüito para que juntas tomemos o café com gosto de eternidade. EUREKA CIEE, uma organização da sociedade civil de caráter filantrópico mantido pelo empresariado, tão bem conduzido pelo francano Dr. Antonio Jacintho Caleiro Palma, tem demonstrado aos governos como a sociedade civil organizada pode se articular e contribuir para o desenvolvimento com justiça social em nosso País. Valorizando a educação e o docente, instituiu o prêmio Professor Emérito-Guerreiro da Educação, que este ano foi para o grande Ives Gandra Martins, em reconhecimento ao seu trabalho em favor da juventude, dia 15 último em São Paulo. O objetivo principal é resgatar a auto-estima da classe, lembrando-lhes, sobretudo, sua saga. Lembraram-se dos cravos, vamos copiar? MENSAGEM “Não é possível refazer este País, democratizá-lo, humanizá-lo, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho e inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. (Paulo Freire)

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