Legista não encontra sinais de mordidas no corpo de vítima


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DÚVIDAS - O delegado Fábio Branquinho determinou que sua equipe apure a fundo a ocorrência: “Não descarto a possibilidade de ter ocorrido um homicídio”
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O javali pode ter sido apenas um bode expiatório. São remotas as chances de o sapateiro André Fernando Pereira, 25, ter sido atacado e morto por um animal selvagem como alegado por seus companheiros de caça. O exame de necropsia não constatou sinais característicos de mordidas no corpo. A Polícia Civil abrirá inquérito para tentar esclarecer a real causa da morte e a hipótese de ter ocorrido um homicídio ganha força. Para familiares, o rapaz teria sido morto por causa de desavenças com criminosos. As explicações apresentadas por uma testemunha levantaram dúvidas. André estaria caçando com três amigos em uma mata no município de Pedregulho, quando teria sido atacado na perna esquerda pelo animal. Foi levado para o hospital e morreu em seguida. A versão oficial foi passada pela desempregada Marli Lino, 31. Ela e dois amigos acompanhavam André na caçada. O trio não teria presenciado o ataque. “Eu só ouvi os gritos dele”, disse ela que não teria entrado na mata para procurar o javali. Marli disse ainda que os outros dois rapazes percorriam outra área da mata. No atestado de óbito, consta que “a morte se deu por hemorragia externa traumática aguda, causada pela ação de agente pérfuro-cortante”. Ou seja, pode ter sido provocada por objetos como uma faca, uma tesoura ou até um dente de animal. Responsável pela necropsia, o médico legista José Carlos Inácio disse ser impossível fazer afirmações. “O ferimento foi provocado por algo que corta, mas não dá para dizer se foi dente ou outro instrumento”. Apesar de evitar conclusões, o legista disse que se surpreenderá caso fique constatado que um animal foi o causador da morte. “Será novidade. As lesões não são típicas. No corpo da vítima não há sinais característicos de mordida”. O médico também encontrou ferimentos nas nádegas do sapateiro que podem ter sido provocados por tombo ou algum outro trauma. Materiais do corpo foram coletados para a realização de testes toxicológicos. O laudo ficará pronto em 30 dias, mas o legista adianta que os exames não vão esclarecer as causas da morte. “A certeza só se dará com uma investigação rigorosa por parte da polícia”. FAMÍLIA Um parente de André falou com a reportagem, sob a condição de anonimato, e disse que ele era viciado em drogas. Na sua opinião, a vítima pode ter sido atraída à mata sob o pretexto de caçar e acabou morta pelos companheiros, supostamente por causa de algum acerto de contas.

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