Com a seca e o forte calor, parece haver uma preocupação generalizada em Franca de que a água doce venha a faltar. Todos os anos, durante o calor, a mesma ameaça de corte de água, caso não chova na cidade.
Pagamos uma conta alta e corremos o risco de ficar sem o precioso líquido. A culpa é só nossa ou também da Sabesp que não aprimora seus serviços? Afinal, estamos cercados de rios por todos os lados. De minha parte, não vejo motivo algum para alarme, desespero ou sede. Existem milhares de soluções prontas e imediatamente aplicáveis. Primeiro, acabar com o desperdício, monumental e diário, das cozinhas domésticas e dos restaurantes, onde usa-se água para tudo: lavar as mãos antes e depois de picar legumes, cozinhar grãos e cereais e ainda lavar o vasilhame, sempre em estrepitosa quantidade.
Compete aos vereadores acabar com essa extravagância em Franca, criando uma lei proibindo lavar as mãos, antes, durante ou depois de preparar os alimentos. Na verdade, nem mesmo será preciso preparar nada. Basta que os laboratórios providenciem, em regime de urgência urgentíssima, pílulas de arroz, comprimidos de feijão, de abobrinhas, cápsulas de bife e assim por diante. Nada de ficar refestelado numa mesa enorme, cheia de pratos coloridos e cheirosos. Para tudo existe uma saída. Cápsulas de churrasco, por exemplo, deverão ser mastigáveis, muxibentas e pesar no mínimo meio quilo.
Outro exemplo que pode ser seguido. Povos esclarecidos tomam banho de perfume. As más línguas afirmam que os franceses puxam a fila. Fedeu? Uma gotinha aqui, outra acolá e estamos prontos pro baile. Mas existe um porém. Vivem eles em clima mais propício, como os esquimós. Infelizmente moramos em país tropical, bonito por natureza etc e tal. Mas se for para o bem de todos e felicidade geral da nação, a solução é seguir os exemplos dos chamados povos civilizados e ficar sem banho.
Conheço um andarilho em Franca, o Dito, que passa um mês inteirinho sem entrar debaixo de um chuveiro. Acredito que no caso dele, em três ou quatro dias o corpo deixa de coçar, os poros entopem e ele passa a usufruir, em tempo integral, de agradável sensação de conforto e bem-estar, como nove entre dez estrelas do cinema. Tem mais, o Dito não bebe água, só cachaça.
Acho que deveria ser homenageado pela Sabesp, pelo exemplo de economia de água. Poderia também ser o garoto propaganda da estatal.
Nos tempos antigos, assassinatos entre reis e nobres se davam por envenenamento. Se um familiar achasse que alguém estava durando muito no trono, bastava uma boa dose de arsênico. Para se prevenir as futuras prováveis vítimas, todo dia, em jejum, tomavam uma dose mínima do mais provável veneno. Arsênico, digamos. Um tiquitico de nada, uma isquinha boba. No dia seguinte, dose maiorzinha. Mais um dia, maior. E assim iam até que, quando viravam o cálice com o veneno que deveria matá-los, riam na cara dos desalmados. Perceberam a sutileza? Pois é.
Basta ir diminuindo gradativamente a quantidade de água a ser bebida diariamente, até que ninguém precise mais beber água.
A Prefeitura de Franca, para encerrar o assunto, dá um grande exemplo para as donas de casa que adoram lavar calçadas todos os dias. Deixou, faz tempo, de desperdiçar água para lavar a Praça da Estação. E a economia foi significativa. Há meses que aquela praça não vê água.
CRIATIVIDADE
Bares, restaurantes e lanchonetes de Franca sobrevivem com criatividade. Neste final de semana prolongado em que a cidade praticamente ficou deserta, alguns conseguiram prender a freguesia com originalidade. O bar do Miltão, por exemplo, perto do Clube dos Bagres, organizou um torneio de sinuca e arrastou, além dos 16 participantes inscritos, curiosos que se acotovelavam para assistir as jogadas. O torneio, que começou pela manhã, durou o dia todo e no final da tarde o grito de campeão. Marcelo “Prieto” ficou em primeiro lugar e recebeu o troféu. Delcídio “Mineiro” ficou em segundo.
POSITIVO
Hoje, 18 de outubro, é Dia do Médico. A data foi escolhida em homenagem a São Lucas, padroeiro da medicina, e consta como dia do santo pela tradição litúrgica. São Lucas exercia a profissão de médico e também tinha vocação pela pintura. Discípulo de São Paulo, o seguiu em missão, sendo chamado por este de “colaborador” e “médico amado”. Parabéns, saúde e felicidade aos profissionais da medicina em Franca, região e em todo o Brasil. Não em dose única, mas em quantidades cada vez maiores.
NEGATIVO
Algumas concessionárias e oficinas de Franca estão vendendo serviço de descarbonização do tanque de combustível. Tal criatividade para tirar dinheiro fácil de motoristas menos esclarecidos não encontra limites. Soma-se ao “pacotão” de limpeza de injetores e de corpo de borboleta, descontaminação geral do motor e por aí afora. Enganação!
NOVO LIVRO
Registro o convite para o lançamento, pela W Editora, do novo livro do amigo, escritor e jornalista Hildebrando Pafundi, “Cotidiano e imaginário do ano 2000”, 304 páginas. O lançamento será dia 26 de outubro de 2007 (sexta-feira), a partir das 18 horas, na Livraria Alfarrabio, localizada na Rua Eduardo Monteiro, 151 em Santo André (SP). Outra oportunidade para conversar com o autor e adquirir seus livros “Tramas & dramas da vida urbana” e “No ritmo sensual da dança”, será entre os dias 15 e 18 de novembro de 2007, no I Salão do Escritor Jornalista, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, capital paulista.
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