Dois e seiscentos, a onda


| Tempo de leitura: 2 min
Onda, onda, olha a onda... Onda, onda, olha a onda.. Peço emprestado ao grupo musical Tchaka Bum o refrão da música ‘Tesouro de pirata’, como alegoria ao que trataremos aqui. Há semanas a população francana tem sido testemunha da ‘onda’ criada em torno do direito de saque do FGTS para o caso de decretação de Estado de Emergência decorrente dos fortíssimos temporais que atingiram, ao início do ano, residências de trabalhadores em Franca causando sérios danos. Euforia quase que geral ganhou as ruas como se Franca fosse uma cidadezinha provinciana movida pelo senso comum, e o motivo disso tudo, os R$ 2,6 mil do FGTS. Olha a onda! Só se ouvia falar da grana e da importância do preenchimento do famoso requerimento e da sua protocolização junto à Caixa (banco com interesses lucrativos) dentro do prazo determinado, ato que oficializaria o pedido do trabalhador para a liberação do numerário. Olha a onda! Nesse meio tempo, um cidadão que teve negado seu requerimento administrativamente pela CEF, decidiu acionar a Justiça Federal para a liberação do dinheiro; o magistrado, com a devida parcimônia e lucidez, indeferiu o pedido com fundamentação. Ainda naqueles dias, outro fato chamou atenção quando uma ação civil pública que propunha liberação dos recursos aos trabalhadores foi extinta por outro magistrado da Justiça Federal. Olha a onda! Pois é, ela passou, mas dessa vez não conseguiu engrossar suas fileiras na tentativa de levar e envolver a justiça que seria grande aliada na estratégica empreitada; começava ali, o declínio, a ‘onda’ deixava transparecer sua inconsistência e vulnerabilidade, perdendo força e corpo e já despertava questionamentos. Principalmente um, o de quem realmente teria o direito legítimo em receber o tão desejado dinheiro. Mas o que importa agora, é que seja reconhecido pela CEF o direito daqueles que tiveram verdadeiramente prejuízos com as inundações sofridas naquele período. Em momento algum, devem pairar dúvidas sobre o comportamento correto de parcela do povo francano que pleiteou o seu direito legitimamente. E, se alguns que não foram atingidos pelo desastre aderiram sem acionar o senso crítico que seria esperado, devem repensar. Tornaram-se massa de manobra, instrumento de diversão de piratas e de seu capitão. Olha a onda! RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários