Pernilongos invadem Cássia e infernizam noites dos moradores


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Começa a escurecer e eles logo vêm. Primeiro o zunido e, em poucos minutos, partem para o ataque. E assim vai a noite toda. Os pernilongos andam infernizando a vida dos moradores de Cássia (MG). A população não sabe mais o que fazer para se livrar dos insetos. Colocam repelente, dormem com o ventilador ligado e há até quem adote medidas mais drásticas. Tem gente que chega a queimar pano ou pó de café para espalhar a fumaça pela casa na esperança de afastar os pernilongos. Não adianta. Nada os detém. Os mosquitos estão tão “atrevidos” que picam até durante o dia. Eles não deixam em paz nem os pacientes do Hospital Municipal. Sem telinhas nas janelas, os pernilongos têm livre acesso a todos os quartos. A aposentada IEC, 56, que pediu para não ser identificada, foi atacada pelos pernilongos durante a semana em que permaneceu internada por conta de pedras nos rins. “A minha mãe saiu de lá com as pernas todas picadas. Não tinha mais onde os mosquitos picarem. Ela até pediu para o médico dar alta porque não suportava mais”, disse a dona de casa, Josiane Elias, 30. No hospital ninguém quis falar sobre o assunto. Segundo o diretor de Vigilância e Saúde de Franca, Fernando Baldochi, os hospitais não são obrigados a colocar telinhas nas janelas dos quartos dos pacientes. “Isso fica a critério do próprio hospital”. Baldochi disse ainda que não há riscos de contaminação, a menos que seja o mosquito da dengue (que também é uma espécie de pernilongo). Nancy de Oliveira, 52, que tem uma loja em frente ao hospital, está estressada com os mosquitos. “Aqui em Cássia os pernilongos estão tirando os moradores de dentro de casa e carregando para a rua”, brinca. Para a comerciante, o calor é uma das explicações para o aparecimento dos pernilongos. “Dá vontade de dormir com a janela aberta, mas por causa dos mosquitos não é possível”. A dona de casa Glória Barbosa já se deu por vencida. “Fiz tudo o que eu podia. Ligo repelente na tomada e fecho as janelas cedo, mas nada adianta. Eles estão por toda a cidade e não deixam ninguém dormir em paz”, disse. A radiologista Cristina Ferreira, 26, mora em Delfinópolis e, duas vezes por semana, dorme em Cássia em razão do trabalho. Ela sabe que, pelo menos em dois dias da semana, não vai dormir bem. “Na minha cidade não tem pernilongo e em Cássia está cheio. Quando eu entro no quarto bato nas cortinas e embaixo da cama. Mas não tem muita solução”.

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