Região de Franca tem um médico para cada 639 habitantes


| Tempo de leitura: 2 min
Entre as 29 regiões do Estado de São Paulo, Franca é a 13ª pior colocada quando o critério é número de médicos por habitantes. Há um profissional para cada 639 francanos, enquanto em cidades de portes equivalentes, como Botucatu, Santos e Ribeirão Preto, a média não passa de 175 moradores para cada “doutor”. A estatística considera uma população local de 328,1 mil moradores e faz parte de um estudo do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) divulgado na última terça-feira. Apesar de a ONU (Organização das Nações Unidas) definir que o ideal é um médico para cada grupo de mil habitantes, a quantidade de médicos na região de Franca - 1,35 - é baixa se comparada, inclusive, à média estadual, de 2,3 médicos por mil habitantes. Quando os números são comparados em escala regional, a diferença é ainda maior: as 17 cidades da região de Franca, que somam juntas aproximadamente 550 mil habitantes, perdem de longe para a cidade de Ribeirão Preto, onde reside aproximadamente a mesma quantidade de pessoas, este índice é de 2,87. O presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Marco Aurélio Piacesi, entretanto, é enfático ao dizer que o número não é baixo, o problema é a distribuição dos profissionais. “A quantidade de médicos é mais que suficiente para atender a população. Acontece que grande parte dos moradores é atendida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e boa parcela dos médicos só atende em clínicas particulares”, afirmou Piacesi. O conselheiro responsável pela delegacia do Cremesp em Franca, Lavínio Camarim, disse que ter muitos médicos em uma região não é sinônimo de boas condições de saúde para a população. “Temos, sim, que discutir uma taxa de ocupação correta. Onde tem hipertrofia de médicos a medicina é melhor, morre menos gente? Todos os trabalhos provam que não”, afirmou. Para o Cremesp, uma lógica econômica explica o cenário da distribuição dos serviços médicos e para que o mercado seja melhor entendido, os técnicos dividiram as regiões em grupos “atrativos” e “expulsivos”. No primeiro estão as regiões socioeconomicamente desenvolvidas que, não por acaso, se transformam em centros de ensino. No outro grupo estão as regiões mais pobres, com maior dificuldade para fixar as pessoas e atrair profissionais, inclusive os médicos. Para o vice-coordenador do curso de mestrado em Promoção de Saúde da Unifran, Iucif Abrão Nascif Júnior, o estudo mostra dados técnicos, mas não avalia com profundidade a situação da saúde pública. “A estrutura de atendimento de cada município deve ser considerada”, avalia. O Conselho, conclui o estudo, é contrário à abertura de novas escolas de medicina e defende, prioritariamente, a melhor distribuição dos médicos existentes. “A maior quantidade de médicos não proporciona, por si só, melhor acesso à saúde para a população”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários