“Assim, aos poucos, iremos recordando figuras benquistas, que não passaram por Franca em branca nuvem”. A frase do francano filho de imigrantes italianos Mário Colazzi D’Elia sintetiza a homenagem aos imigrantes italianos de Franca e à filha de D’Elia, Maria Aparecida Ramos D’Elia conhecida como D. Filhinha, que lotou o Teatro Municipal “José Cyrino Goulart”, na terça-feira à noite, e emocionou todos os presentes.
Os 450 alunos da Escola Estadual Mário D’Elia apresentaram a peça De Da Vinci a D’Elia, resultado de um projeto interdisciplinar desenvolvido durante todo o ano. A peça retrata a influência desses italianos, do século 15 ao século 20, desde o pintor Leonardo Da Vinci, passando por personalidades como o Barão de Montesquieu, Voltaire, Johann Sebastian Bach, até chegar em Mario D’Elia.
O roteiro da peça foi feito por professores e alunos baseado nos livros Neto de Laura Gioletti e Sal e Pimenta, que reúne crônicas publicadas no jornal Comércio da Franca, no qual D’Elia foi colaborador nas décadas de 40 e 50, e Vila Franca dos Italianos, do empresário Jorge Felix Donadelli.
“Alguns italianos que aparecem nos livros foram até a escola para conversar com os alunos nas salas de aula e contam como seus ancestrais italianos chegaram a Franca. Com essas histórias, os alunos escreveram paródias que foram gravadas em CD e trechos delas foram apresentados durante a peça”, explicou a professora de Artes Maria Angela Pires, diretora de De Da Vinci a D’Elia.
O objetivo do projeto é incentivar a leitura e a pesquisa. “Começamos com Da Vinci porque ele é um marco histórico importante, chegando no século 19 a peça refere-se às famílias italianas que chegaram à Franca, contribuindo em diversos setores para o crescimento de Franca”.
O entrosamento e a dedicação de todos os alunos ficaram nítidos no palco. “Todos participaram e com muita empolgação. O projeto fez parte de todas as aulas, matemática, português, educação artística, e todos se empenharam em prestar essa homenagem aos ancestrais italianos que fazem parte da cultura e educação dos francanos”, ressaltou a diretora da escola Elza Rodrigues Pinto Oliveira.
Donadelli foi um dos homenageados que se emocionou com a peça da segunda fileira da platéia. Ele colaborou com os alunos durante a montagem do espetáculo, doando livros para a Escola e convidando as famílias italianas. “Estou orgulhoso de pertencer a uma família italiana, é uma lembrança oportuna. Como cidadão acho merecida essa homenagem, como italiano estou orgulhoso”, disse o empresário que é neto de italianos que vieram de Treviso, norte da Itália, para Franca.
MEMÓRIA VIVA
Aos 87 anos, lúcida e muito bem-humorada, D. Filhinha veio de Campinas, onde mora atualmente, para Franca especialmente para assistir à peça. Muito emocianada, ficou encantada com a dedicação das crianças no palco. “Eles foram muito gentis. Meu pai foi um grande patriota, jamais deixou de amar e lembrar seus ancestrais. É uma homenagem muito justa. É muito bom estar em casa, entre os irmãos, é muito raro eu vir para Franca”.
Mário D’Elia nasceu no dia 05/09/1902, foi bancário, trabalhou em escritórios de contabilidade, no Curtume Progresso da Franca e no Banco do Brasil. Foi colaborador de diversos jornais do interior e no Comércio assinava suas crônicas com o pseudônimo Grão de Sal.
Após a peça, homenageados se encontraram na Escola para uma Maccheronata Affinchè Affratellare (macarronada para confraternizar), onde D. Filhinha autografou seu livro de poemas Rimas.
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