Banco que tem feito as melhores apostas sobre os efeitos da crise internacional no Brasil, o UBS Wealth Management continua apostando no Brasil, embora com um entusiasmo um pouco menor. Para seu estrategista, Paulo Tenani, os juros Selic de equilíbrio são de 9,75% - ou seja, a partir daí não há mais ganhos de “arbitragem” (do investidor externo tomar dinheiro em outra moeda e investir em juros brasileiros). Daí a importância da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de amanhã. Se decidir manter a redução da taxa Selic em 0,25%, vai-se chegar mais rapidamente ao piso dos juros. Se resolver parar, significa que levará mais tempo para se atingir a taxa de equilíbrio. E continuará sendo bom negócio por mais tempo trazer dólares para o Brasil.
***
Seja qual for a resultado, o UBS está vendo 2008 como o primeiro ano em que o dólar será mais apreciado no Brasil do que no ano anterior. Com isso, chega ao fim um dos grandes fatores de ganho para o capital especulativo: a desvalorização do real. Com ela, o investidor trazia dólares, trocava por reais e aplicava em juros. Na saída, sacava os reais acrescidos dos juros. Como o dólar se desvalorizava no período, ele conseguia recomprar muito mais dólares do que na entrada, ampliando seu lucro. Essa moleza está prestes a acabar. Sem a desvalorização do dólar, a economia brasileira se ajustará de duas formas. Ou através de crescimento - e nesse caso a recomendação será aplicar na Bolsa; ou através de inflação - caso em que o câmbio voltará a ser uma alternativa. Por isso mesmo, a incógnita da equação é como será o comportamento do governo Lula no próximo ano. Se o PAC embalar, a construção civil mantiver o ritmo e houver ganhos na gestão de gastos públicos, o ajuste se dará via aumento do PIB.
***
Em todo o período da crise do “subprime” o UBS Wealth Management apostou firmemente na compra de ativos, na convicção de que a crise não abalaria a economia mundial. Administra quase US$ 300 bilhões no mundo. As decisões são tomadas por um comitê em que o Departamento de Pesquisas Econômica tem 5 votos; o de Vendas outros 5; a Área de Implementação (os operadores), 5 votos; o asset manegement 2. A visão do grupo era simples. Houve quebra de “hedge fund” (fundos especulativos) na Austrália, França, Canadá e Alemanha. Em lugar de achar que eram sinais de uma crise sistêmica, interpretaram como sendo prova de que o sistema era sólido. A “alavancagem” (endividamento para investir no mercado) não alimenta o risco total do sistema, mas apenas o risco das pessoas e fundos que se alavancam. Ao contrário da bolha da Internet, no caso do sistema hipotecário americano, a rentabilidade básica dos ativos tinha como base o mundo real: era o fluxo de caixa do negócio (o valor das prestações menos a inadimplência). Em cima dessa base, os bancos podiam avaliar os “prêmios de risco” (isto é, quanto gostariam de receber a mais para correr determinados riscos). Quando o risco se materializou, grande parte dos bancos já havia embolsado os prêmios. O que significa que as avaliações de risco haviam sido bem feitas e as quebras ocorridas, se constituído em fenômenos isolados.
ACOMODAMENTO DOS EUA
Agora, com a redução do crescimento dos Estados Unidos, há uma redução do risco sistêmico da economia mundial. O problema maior era quando os Estados Unidos cresciam mais do que o resto do mundo e o ajuste da economia americana se dava pela desvalorização do dólar. Com os ajustes, fazendo com que a economia americana cresça menos do que o mundo, diminui probabilidade de redução desordenada do dólar.
APOSTA BRASIL
O Brasil continua fazendo parte das apostas especiais do UBS. Estima-se a possibilidade de uma alta de até 30% na Bovespa, por causa da redução dos juros. Em junho, o UBS já havia feito a primeira desaceleração nas recomendações de Brasil em quatro anos, mas mantendo ainda a recomendação. Para o ano que vem espera desvalorização de 2,5% a 3% no dólar e as taxas de juros caindo até 9%.
CISCO - 1
A Operação Persona, da Polícia Federal e da Receita - que desbaratou uma quadrilha especializada em contrabando de componentes terá repercussão mundial, ainda mais após a Lei Sarbanes-Oxley, aprovada pelo Congresso americano, com punições severíssimas a empresas americanas que cometam atos de corrupção. A empresa apanhada foi a Cisco, líder mundial em equipamentos para tráfego de voz e dados.
CISCO - 2
Nos últimos anos, as empresas de telefonia no Brasil haviam optado pelo grande rival da Cisco, a chinesa Huawei. Com preços muito mais baratos, beneficiada pelo câmbio chinês, a empresa chinesa conseguiu desbancar a Cisco em grandes encomendas recentes. Pode ser o fator determinante para que a Cisco tentasse aumentar sua competitividade por meios pouco ortodoxos. Outras multinacionais podem estar envolvidas.
CISCO - 3
Fundada em 1988, a Huawei começou fornecendo equipamentos para empresas chinesas de tecnologia. Hoje atua em cem países e fornece para 31 das 50 maiores empresas globais de telefonia, como a British Telecom, Telefonica, Vodafone. Recentemente, venceu licitações para fornecer equipamentos para a Telecom Itália e para a Brasil Telecom. No caso da BRT, o contrato foi de fornecimento de 220 mil portas ADSL (banda larga).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.