A dona de casa Inês de Oliveira, 63, tem todos os eletrodomésticos que poderiam facilitar o seu trabalho, mas não usa nenhum. Não que ela não goste de tecnologia, pelo contrário.
Simplesmente ela não tem como ligá-los por falta de energia elétrica. Como Inês, todos os moradores do Jardim das Acácias, em Cristais Paulista, sofrem com a falta de luz há mais de um ano. Os postes e os fios já foram instalados, mas não foi feita a ligação em nenhuma das 50 casas existentes no bairro, sendo que mais de 20 são habitadas. O loteador culpa a prefeitura pelo atraso e alega que fez o pedido na CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). A administração municipal afirma que não tem responsabilidades sobre o bairro, mas a CPFL deu uma boa notícia. Disse que a luz deverá ser instalada em até 15 dias.
Enquanto isso, Inês e o marido, João Américo de Oliveira, 66, que se mudaram para o bairro em abril para fugir do aluguel, sofrem com a escuridão. “A gente usa vela e lampião”. Sem alternativa, o casal vê a geladeira, a TV e o aparelho de som encostados em um canto da sala.
Na casa de José Batista dos Santos, 48, moram sete pessoas, sendo três crianças. O drama é o mesmo. “Éramos acostumados com energia elétrica e agora está muito difícil. Gastamos até três caixas de velas por semana para iluminar a noite. Ninguém resolve o nosso problema”, disse Santos.
Como nenhuma casa tem chuveiro quente, as crianças precisam tomar banho cedo. Praticamente em todas as casas podem ser vistos fogões a lenha (na maioria improvisados) para esquentar água.
Situação delicada também vive a família de Eunice Santiago Garcia, 55. “Temos que esquentar água principalmente para dar banho nas crianças”, disse ela, que mora com mais nove pessoas. Na casa de Eunice, a família janta por volta das 17 horas para aproveitar o luz do dia.
Inconformado com a situação, Riva Estevis dos Santos, 31, fez um abaixo-assinado para levar ao loteador na esperança de conseguir a ligação de energia. Mas até agora, nada mudou. “Quem sofre somos nós que não sabemos quando a luz vai chegar”, diz.
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