A indústria de calçados em Franca pode estar em crise, mas, para um outro segmento, não existem dificuldades. É a expansão da construção civil, que pode ser notada facilmente pelas ruas da cidade. Para se ter noção do tamanho do aumento, o número de projetos de prédios aprovados pela Secretaria de Planejamento da Prefeitura em pouco mais de nove meses deste ano já supera quase 50% o total de pedidos feitos em 2006. Isso não significa necessariamente, no entanto, que estes projetos já estejam em execução.
De acordo com dados da Prefeitura, no ano passado foram solicitadas autorizações para a construção de nove edifícios. Neste ano já são 14, todas obras entre 724 metros quadrados e 6.211 metros quadrados. Os empreendimentos estão situados nos mais diversos bairros da cidade, como Residencial Amazonas, São José, Santo Agostinho e Jardim Consolação. Entre as obras, estão prédios e edifícios residenciais, condomínios, prédios comerciais e edifícios “multifamiliares”.
O bom momento vivido pela construção civil é registrado, também, no número de empregos. Oficialmente, foram geradas 32 vagas no setor este ano, mas pelas estimativas da AEAF (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Franca), pelo menos 200 vagas foram criadas.
Embora não seja possível quantificar exatamente quando isso significa de investimento na economia local, é possível ter uma base levando em conta o valor dos apartamentos mais baratos. Para ser construída, uma unidade com 32 apartamentos da CDHU custa aproximadamente R$ 610 mil. Já um prédio particular de dez andares e 40 apartamentos de 60 metros quadrados chega aos R$ 2 milhões.
E como toda cadeia de produção, o aquecimento da construção afeta também as lojas especializadas. Adão Dorival Vinhola, dono de uma das lojas de materiais de construção da cidade, diz que a movimentação melhorou em relação ao ano passado. O principal cliente do comerciante, no entanto, não são as empresas que constroem os prédios citados acima, mas moradores que reformam suas casas ou levantam seus imóveis particularmente. “Eu estimo que houve um aumento de 15% a 20% em relação ao ano passado”.
O motivo apontado por Adão é a manutenção dos preços e a facilidade de pagamento. “Eu acho que está muito fácil para comprar, até porque o preço não tem subido. Em alguns casos, tem até baixado. Além disso, existe a facilidade de crediário”.
O presidente da AEAF, Júlio César Chiade, concorda que existe a expansão e afirma que o fenômeno acontece principalmente devido ao aumento de construções voltadas para pessoas de baixa renda, que têm nos financiamentos da Caixa Econômica Federal seu grande apoio.”Em termos de obras populares, em relação a conjuntos habitacionais, houve um aumento sim. São muitos bairros que estão saindo com muita moradia. Acredito que só esse segmento seja responsável, sozinho, por um aumento de 20 a 25% das autorizações”.
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