Sofismas do pré-Copom


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V éspera de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) é o periodo em que mais se manipulam estatísticas econômicas. A razão é simples. A função do Copom é definir uma taxa de juros que mantenha a inflação futura dentro das metas fixadas. Como é futura, a inflação está sujeita a uma série de fatores, de pressões baixistas e altistas. Por outro lado, a definição da Selic (a taxa de juros básica da economia) mexe diretamente com interesses no mercado. A manutenção da taxa significará a continuidade da apreciação do dólar, o que dá lucros adicionais relevantes a quem traz dólares de fora para investir no curto prazo. Por outro lado, parte do mercado aposta nos ativos reais - bolsas, empresas - que seriam valorizados em caso de queda das taxas de juros. *** Por isso mesmo, há um jogo pesado de manipulações estatísticas de toda ordem, contra as quais é necessário cautela. Veja alguns exemplos: Comparação de índices incomparáveis O analista pega o IGP (Índice Geral de Preços) e compara com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado). Ambos são índices completamente diferentes. O primeiro mistura índices de preços ao consumidor com índices de preços no atacado e com índices de preços na construção civil. O segundo é um índice de preços ao consumidor, levantado em diversas capitais. Na definição da meta inflacionária, o Banco Central se baseia no IPCA - que está paradinho, sem grandes oscilações. Ai o analista pega o IGP e constata que vai haver uma alta dele este ano, em comparação com o ano passado - muito em função dos preços dos alimentos, que estendo puxados pelas cotações internacionais. Acontece que o IGP serve de base para uma série de reajustes, da conta telefônica, de luz, de contratos de aluguel e outros vários. O analista então deduz: com a disparada do IGP, vão ocorrer aumentos de vários serviços e tarifas que pesam em 9,82% no IPCA. As correlações estão todas certas. De fato, o IGP afeta contratos que afetam o IPCA. Onde está a malandragem? No fato do analista não quantificar de quanto será essa influência. Quando se analisa a ‘disparada’ do IGP, se percebe que se está falando em um IGP saindo de 3,85% para 5,3%. Avaliando o peso dessa alta sobre os contratos e tarifas, e o peso de contratos e tarifas sobre o IPCA, se contata que o impacto sobre o IPCA será de... 0,14% no ano. Taxa de capacidade instalada Outro truque consiste em analisar o índice de capacidade instalada da indústria, medido pela FGV. A presunção é que, quanto mais perto dos 100% de utilização, mais risco haverá de inflação. Ocorre que uma empresa só começa a investir na ampliação da produção quando sente que a capacidade instalada será ocupada e o ritmo da economia será mantido. Quando se vêm ao mundo real, a situação é outra. Primeiro, porque os maiores índices de ocupação estão no setor de máquinas e equipamentos - justamente o que sinaliza para o aumento da capacidade instalada dos demais setores. Segundo porque, quando bate nos 100% de utilização a empresa tem o recurso do terceiro e do quarto turno, além da terceirização de parte da produção. COPOM E CÂMBIO - 1 A taxa de juros Selic de equilíbrio (a partir da qual não será mais interessante trazer dólares de ‘arbitragem’ no país) é de 9,75%. Quanto mais cedo o Banco Central chegar dessa taxa, mais rápido cessa o movimento do chamado capital, gafanhoto. Se a taxa cair 0,25%, os investidores estrangeiros começarão a colocar o pé no freio. Se o BC não mexer na Selic, dólar bate em R$ 1,70. Ai a farra acaba. COPOM E CÂMBIO - 2 O ano que vem será o primeiro, desde 2002, em que não haverá apreciação do câmbio. Esse fato muda completamente a estratégia dos investidores externos. A corrida, agora, será para as Bolsas de Valores. Algumas grandes instituições trabalham com a possibilidade da Bolsa aumentar mais 30%. O cenário para 2008 dependerá fundamentalmente da ação do governo. Esse quadro ainda não está muito claro para o mercado. COPOM E CÂMBIO - 3 Se o governo for mal, o fim da apreciação do câmbio deverá trazer um pouco mais de inflação. Se pegar o embalo, a tendência será um aumento do PIB real, melhorando as perspectivas das Bolsas. Em qualquer hipótese, no ano que vem a conta corrente começará a ser deficitária, outro fator a impedir maior apreciação do câmbio. Mas o BC também não terá ajuda do câmbio para conter a inflação, como ocorreu até agora. CARTEIRA ASSINADA Em setembro foram criados 251.168 empregos com carteira assinada, 0,87% a mais que em agosto. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, é o melhor setembro da série. A indústria da transformação criou 112.114 empregos, melhor resultado mensal da série. No acumulado do ano, foram 1,6 milhão de empregos a mais, 5,8% em relação ao ano anterior. Serviços criou 497.725 postos. BOLSAS EM QUEDA Nova York operou em, queda, reflexo dos resultados da pesquisa do Citigroup sobre a confiança dos investidores e pela queda de 57% no lucro do banco, no terceiro trimestre, além da escalada do preço do petróleo, que passou dos US$ 85 o barril. O dado positivo foi o anúncio da criação de um fundo para adquirir ativos de risco, bancados pelo Citigroup, Bank of America e JP Morgan Chase.

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