Duas pessoas foram presas em flagrante pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), ontem, acusadas de fraudar o exame para tirar CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em Franca. Um dos detidos é Sidnei Júnior Fernandes, 30, dono da Auto Escola Únika, situada na Rua Doutor Júlio Cardoso, Centro. Segundo a polícia, ele seria o mentor do esquema que pode ter outros envolvidos. Usava laranjas para fazer a prova teórica no lugar de analfabetos ou de pessoas que enfrentavam dificuldades em responder as 30 questões. Recebia de R$ 300 a R$ 500 para entregar a carteira de maneira ilícita aos interessados.
Anderson Inácio de Paula, 24, foi surpreendido quando se preparava para realizar a prova em nome de outro candidato a motorista.
A equipe dos delegados Wanir da Silveira e Márcio Murari vinha trabalhando no caso há quatro meses. A descoberta do golpe se deu por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Os investigadores Lucas, Sandro e José Renato monitoravam o dono da auto-escola sob a suspeita de envolvimento em outro crime e o ouviram combinando o esquema de fraude no exame com um interessado. Ficou acertado que a prova seria realizada por Anderson há 15 dias no CFC (Centro de Formação de Condutores) da Estação. “Nossos policiais ficaram de campana no local, mas o rapaz desconfiou e não apareceu naquele dia”, contou Murari.
O laranja foi ao mesmo CFC fazer a prova usando documentos falsos ontem. Ao perceber que havia policiais na sala, tentou fugir. “Corremos atrás e o detivemos. Ele estava com a documentação usada para fraudar o exame. Apesar de a foto ser dele, os dados pessoais que constavam na matrícula da auto-escola e no RG eram do futuro motorista”, contou Lucas.
A simples troca de fotografia no RG e no prontuário do candidato permitia a concretização da fraude. “O laranja se passava por outro e fazia a prova. Quando a documentação voltava para a auto-escola, eles retiravam a foto dele e colocavam a do verdadeiro candidato, que ficaria apto a fazer a prova prática. Depois, a CNH era expedida”, explica Murari.
Segundo a polícia, Anderson ganhava R$ 100 por cada prova. A participação dele ficou comprovada em outros dois exames. O número de motoristas beneficiados pelo esquema ainda é investigado. Os envolvidos terão a CNH cassada e responderão a processo. Quase 200 pessoas tiraram a carta este ano.
Tão logo o laranja foi preso, os policiais e o delegado responsável pela Ciretran, Augusto Ricci, foram até a Auto-Escola Únika e detiveram Sidnei. Computadores e documentos foram apreendidos para serem periciados.
Os dois envolvidos foram procurados pela reportagem e se negaram a falar sobre as acusações. Eles responderão por tentativa de estelionato, falsificação de documento, uso de documentos falsos e por guardar apetrechos para falsificação. Como são crimes inafiançáveis, foram levados para a cadeia.
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