Pedidos de auxílio-doença disparam na Justiça


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Carlos Alberto da Silva mostra atestado. Com benefício negado, ele entra na Justiça
Carlos Alberto da Silva mostra atestado. Com benefício negado, ele entra na Justiça
Sete em cada dez pedidos de auxílio-doença protocolados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de Franca são negados pela Previdência. Sem outra alternativa, muitos segurados buscam a Justiça para fazer valer seus direitos. O efeito prático disso é o crescente número de ações judiciais abertas no Juizado Especial da Justiça Federal. Só nos primeiros nove meses do ano, o volume de ações judiciais de pedidos de auxílio-doença dobrou. Hoje são 44 novos processos por mês. Em janeiro, eram 22. Para o diretor do Juizado, Edson Cialdini, o aumento de ações é um reflexo evidente da postura adotada pela Previdência. “Na maioria das vezes, as pessoas que ingressam com ações passam por várias perícias e vêem seu pedido negado administrativamente. Sem outra alternativa, acabam recorrendo à Justiça”. De acordo com os dados do INSS, por mês, são protocolados em Franca 963 pedidos. Destes, 721 são negados. A justificativa da Previdência para o alto índice é a falta de informação dos segurados. “Os trabalhadores que entram com pedidos de auxílio-doença procuram o Instituto, mas não apresentam os requisitos para o recebimento, não recolheram o tempo suficiente ou não comprovaram que estão inaptos para o trabalho”. Para a advogada Tânia Liporoni, que há anos lida com este tipo de procedimento, o problema é outro: o INSS teria aumentado o rigor dos médicos na hora de avaliar a incapacidade do trabalhador. “As perícias estão mais rígidas, sim. Só consegue o benefício quem está quase morrendo”. Para embasar sua opinião, ela cita números de anos anteriores. Em 2005, o número de pedidos negados não chegava a 40%. “As leis são as mesmas, o que mudou mesmo foi a postura do INSS”. O Juizado não faz o levantamento de quantas ações de auxílio-doença são deferidas judicialmente, mas, para a advogada Fernanda Andrade, vale a pena tentar. “Eu aconselho às pessoas que entrem na justiça porque como a avaliação dos peritos judiciais é bem mais coerente”. Segundo ela, em cada 100 clientes seus que entram com ações, apenas quatro não conseguem o benefício.

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