Diz-me o que comes


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Você trocaria um bom churrasco com direito a porco no rolete ou aquela picanha mal passada por um prato de berinjela à parmegiana, brócolis ou creme de espinafre? Pode parecer improvável para quem está acostumado com os “prazeres da carne”, mas tem uma galera que, para levar uma vida mais saudável ou mesmo por opção, dispensa tudo que seja derivado de um animal ou da natureza. Estes grupos fazem parte de uma vasta corrente de vegetarianismos (veja alguns no quadro nesta página). A farmacêutica Giovana Blanca, 28, mudou seu cardápio desde os 13 anos de idade e segue a linha de um vegetariano tradicional, que evita comer carne branca e dispensa qualquer carne vermelha. “Adoro comer um verdinho. Legumes e verduras não podem faltar no meu almoço, principalmente brócolis, alface e couve”, disse. Apesar da preferência, Giovana ainda come, mesmo que de vez em quando, um peixinho assado. Mas a cada dia surge um novo tipo de vegetariano e cada vez mais radical. A moda veggie é uma das mais faladas nos últimos tempos. Os vegans, seus “seguidores”, não consomem ingredientes de origem animal como ovos, leites e carnes e até se recusam a usar acessórios como couro, roupas de lã, peles ou alguns sabonetes. Tudo para proteger os animais. Achou exagerado? Isso porque você ainda não conhece os frugívoros (ou frutívoros). Além de não fazer nada que possa ferir animais, os adeptos dessa idéia também fazem de tudo para não prejudicar as plantas. Só comem frutos. Detalhe: os frutos não podem ser retirados das árvores, só são recolhidos quando soltam das plantas e caem no chão. A nutricionista Cinthia Parise alerta: elementos nutricionais que ficam de fora dessa dieta vegetariana pode causar várias conseqüências. “Há deficiência de ferro e cálcio no organismo de um vegetariano. Quem não come carne, pode e deve substituir esse alimento pela clara de ovo, leite, brócolis, espinafre e qualquer alimento de cores verde-escuras, pois contêm bastante proteínas”, disse. Para quem quer seguir qualquer uma das correntes, a especialista indica o acompanhamento médico e nutricional. “Mesmo sendo uma escolha é indispensável a orientação de um especialista. Cada pessoa tem um organismo diferente”. PARA IMPLEMENTAR Comer salada todos os dias não parece muito sugestivo, mas há quem se dedique a aprimorar a culinária para os vegetarianos. No restaurante Natural Dona Octalina, por exemplo, o cardápio é bem variado e nutritivo. “Quando fazemos nhoque de cabotiá ninguém deixa de comer. Batata ao molho e tomate recheado com proteínas de soja também são pratos bem apreciados”, disse Verônica Pinheiro Casaes, umas das proprietárias do restaurante. Há mais de dez anos a cozinha do restaurante é preparada com cuidado. “A maioria dos alimentos que servimos, são preparados em panela a vapor, porque ela evita que a proteína do alimento seja jogada fora com a água”, explica Verônica. Por dia, de 60 a 80 clientes passam pelo local. Eles cobram R$ 8,50 por almoço com direito a comer à vontade. A estudante Denise Beneli Ferraro também não come carne vermelha, mas prepara seu prato em casa. Há quatro anos, ela mudou seu cardápio e se considera uma pessoa mais natural. “Pela manhã, bebo vitaminas de banana, maçã ou aveia. No almoço, às vezes como ovo na salada”, disse. Por conta disso, seus pais também tiveram que se acostumar com a mudança. “Até na compra do mês sentimos a diferença no preço”. Um quilo de proteína, por exemplo, custa, em média, R$ 2,5. Já o quilo da alcatra, mais ou menos, R$ 13.

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