O lixo espalhado pela calçada denuncia a imundície em que se transformou um sobrado no Jardim Aeroporto III. No Jardim Consolação, as janelas e portas quebradas e cachorros na entrada comprovam que outro imóvel foi invadido e ocupado. Esses são apenas dois imóveis abandonados e invadidos em Franca. O problema é recorrente e tem atormentado a vizinhança em diferentes bairros. A Prefeitura não tem controle do número de residências abandonadas.
Há pelo menos quatro meses, os moradores da Rua Sara Beatriz de Freitas, no Aeroporto, sofrem com um verdadeiro depósito de lixo nas proximidades de suas casas. Segundo vizinhos, o dono do imóvel foi preso e a residência passou a ser usada por um catador de lixo para guardar o que retira das ruas - pets, embalagens, roupas, comida, lixo e até um monte de cebolas. O cheiro ruim é insuportável. “O moço é quieto, não mexe com ninguém. O único problema é juntar tanto lixo e deixar esse cheiro horrível perto da casa da gente. Estão criando bichos aí dentro. Ele podia catar só o que vende e limpar a sujeira”, disse Rita dos Santos, 61, costureira de sapatos.
Imundo, o sobrado se tornou hábitat ideal para ratos e baratas. É comum vizinhos cruzarem com essas espécies em suas casas. “Viver aqui perto é duro. Sempre encontro ratazanas e baratas enormes em casa”, disse a dona de casa Fátima. A vizinha Roberta Vieira, 27, também dona de casa, se mudou para o endereço há apenas um mês e já não agüenta mais os bichos. “Já matei seis ratos com ratoeira no quartinho dos fundos. Não posso usar ratoeira porque tenho filho pequeno e tenho medo de ele ingerir. Só não entram dentro de casa porque colocamos rodinhos protetores”.
Em outro imóvel invadido na Rua Capitão Zeca de Paula, no Jardim Consolação, próximo ao Centro, a situação é parecida. Há bichos também, mas o maior problema enfrentado pelos vizinhos tem sido a bagunça dos atuais moradores.
O problema, segundo os vizinhos, teria começado há quatro anos, quando a família que ocupava a casa foi despejada. “Na época, disseram que o imóvel seria demolido, mas, até agora, nada. O local acabou invadida por andarilhos e virou uma bagunça só. Ou estão fazendo farra com bebidas e drogas ou brigando. Não temos mais sossego”, disse a vizinha que pediu anonimato.
Os invasores não pretendem deixar o espaço. Eles se consideram donos. “Não sabemos de quem é essa casa. Queremos dar uma limpada, reformar e ficar aqui. O dono nunca apareceu aqui mesmo”, disse uma das ocupantes do imóvel.
Ela negou que façam barulho. "Antes era assim porque morava um tanto de gente aqui. Agora está calmo. Só tem eu, meu marido e um amigo (e quatro cachorros). O resto foi embora". Eles vivem sem energia elétrica e usam água de duas vizinhas. Todos estão desempregados e pedem comida para sobreviverem.
O desejo da vizinhança dos dois bairros é ver as casas abandonadas no chão. "Tem de derrubar, demolir tudo para acabar com o problema. Se for fechar, tem de construir uma parede para ninguém invadir", disse um vizi-nho. Alguns moradores preferiram não se identificar com receio de sofrerem represálias.
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