Seduzir pela leitura


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“Escrevo porque acredito naquilo que acontece quando a palavra se aninha no coração e na consciência das pessoas. Minha literatura nasce de/para crianças, adolescentes e aborrecentes”. De calça jeans, camiseta, um óculos vermelhos contrastando com a careca, um brinco e muito bom humor. Foi assim que Wagner Costa, 57 anos, conquistou as crianças francanas em visita às escolas Alto Padrão e Escola Municipal “Jerônimo Francisco Costa”, na semana passada. O escritor de 19 livros infantis e juvenis já foi repórter policial de grandes jornais, como Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil, e professor do ensino fundamental e médio. Hoje, Costa viaja o País para divulgar seus livros e incentivar a leitura. “Teoria enche o saco, é preciso ser lúdico e seduzir as crianças para que elas gostem de ler. Caso contrário a televisão vai continuar sendo mais legal, é mais fácil”, ressalta. A convivência próxima a criminosos, jovens infratores e desigualdade social tornou-se fonte de temas para seus livros. As questões sociais, como desemprego e drogas, são histórias que ganham atenção da garotada. “Se você escreve para criança, pode tudo, menos mentir. Pode criar, fantasiar, fazê-la viajar. Mas, no momento em que aborda temas sociais, você não pode mentir”, comenta Costa. Trabalhando como jornalista, o escritor percebeu que o índice de violência entre os jovens infratores é inversamente proporcional ao universo da leitura. “Em alguém que lê, a crueldade vai sendo atenuada porque a pessoa consegue enxergar outros horizontes”. No livro Quando meu Pai Perdeu o Emprego, por exemplo, Costa narra a história de uma família com quatro filhos que, com a perda do emprego do pai, muda drasticamente sua situação econômica. Misturando ficção e realidade, O escritor apresenta diversas reações e possibilidades de amadurecimento em situações comuns no cotidiano de crianças e jovens. A receita parece dar certo. O aluno da 3ª série da “Jerônimo”, João Paulo Rosa de Oliveira Ambrósio, 9, disse que o livro de Costa O Segredo da Amizade foi o que mais gostou entre todos que já leu. “Eu gostei de ler e achei esse livro na biblioteca. Ele fala sobre como formar amigos, gostei muito e foi muito bom conhecer o escritor aqui na escola”. Costa ressalta que o jornalismo fascina, mas trabalhar com literatura é uma missão. “Os professores estão na sala de aula tentando ensinar cidadania e quando o aluno chega em casa e vê na televisão uma entrevista com um jogador ou uma propaganda do Zeca Pagodinho incentivando a começar a beber na quarta-feira todo o trabalho vai por água abaixo”. A saída, ressaltou o escritor, é que o professor trabalhe com livros, dentro da sala de aula, de maneira divertida e com entusiamos. “Teoria é um saco mesmo, mas se a criança e o adolescente forem seduzidos pela leitura, eles vão criar o hábito de ler”. SERVIÇOS As livrarias de Franca não possuem os livros de Wagner Costa para pronta entrega, mas aceitam encomendas. A maioria dos livros do autor são da Editora Moderna e chegam em até sete dias. Os preços variam de R$ 21 a R$ 23,90.

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