Wilson Teixeira: o dilema entre a demissão e a aposentadoria


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Wilson Teixeira, ex-secretário do Planejamento, durante depoimento na CEI do Bagres: segunda sindicância em seis meses
Wilson Teixeira, ex-secretário do Planejamento, durante depoimento na CEI do Bagres: segunda sindicância em seis meses
Parece estar perto do fim a carreira do ex-secretário de Planejamento Urbano Wilson Teixeira na Prefeitura. E de forma melancólica. Prestes a completar 30 anos de serviço público como engenheiro, é alvo de um processo administrativo e corre o risco de ser demitido. Pior: é a segunda vez que Teixeira enfrenta esta situação em um período de apenas seis meses. Do primeiro processo, ele escapou e foi apenas suspenso. Nos bastidores, a notícia é que, neste segundo caso, suas chances são menores. Tanto que teria sido aconselhado pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB) a pedir aposentadoria proporcional junto ao INSS (Instituto Nacional de Previdência Social) e evitar o desgaste da demissão. O primeiro escândalo foi o do Córrego dos Bagres. Na ocasião, a Betontest Engenharia, pertencente a Taísa Franceschi, mulher do engenheiro Marco Franceschi, subordinado de Teixeira, venceu uma licitação para elaborar um projeto técnico para obras no canal. A outra empresa participante da licitação é a FFC, de propriedade do ex-cunhado de Marco. A terceira, Infratécnica, pertence a sócios do ex-secretário. Diante de tantos laços de parentesco e amizade, surgiu a suspeita de superestimativa de gastos de R$ 1,2 milhão no projeto da Betontest. Teixeira, suspeito de participar ativamente da suspeita de fraude, foi suspenso pelo prefeito e respondeu, afastado, a uma sindicância da Divisão de Auditoria Interna. A conclusão da comissão de sindicância foi pela demissão de Teixeira. Rocha, sensibilizado com os pedidos de Teixeira para não ser mandado embora, assumiu o ônus de contrariar a recomendação da sindicância e os riscos de enfrentar uma ação do Ministério Púbico e preferiu considerar que o problema ocorrido se deu por incompetência e não por corrupção. Com isso Sidnei decidiu apenas suspender o ex-secretário. A decisão foi anunciada no último dia 3. De acordo com fontes ligadas ao gabinete, apesar do gesto de Sidnei Rocha, o prefeito aconselhou que Teixeira pedisse sua aposentadoria, pois não “seguraria a bronca” outra vez. Na mesma semana, o próprio prefeito indicou a abertura de uma nova sindicância contra Teixeira. Desta vez, focada na emissão de um Termo de Verificação de Obras expedido pelo ex-secretário. O documento tinha a função de comprovar que o loteamento Chácaras Ana Dorothéia estava legalizado. Porém, havia dois problemas: além das várias irregularidades encontradas no local, descobriu-se que a dona do empreendimento, a Imobiliária Parati, tem o próprio Wilson Teixeira como um de seus proprietários, o que contraria as leis do serviço público. Sidnei Rocha pediu urgência nos trabalhos dos auditores. Segundo a reportagem apurou, mais uma vez, a demissão deverá ser indicada como punição a Teixeira. “Desta vez, ficará difícil o prefeito pôr panos quentes. Se ele não se aposentar, será mesmo mandado embora”, disse a fonte, que pediu anonimato. “O próprio prefeito está torcendo para que ele peça logo aposentadoria e tire esse peso das costas dele”. Teixeira foi procurado, nas tardes e noites de quinta e sexta-feira, por meio de seu telefone celular, mas a gravação da operadora indicava que o aparelho estava desligado ou fora da área de serviço.

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