Dólar chega a R$ 1,80 e ameaça as exportações


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Funcionários na linha de produção: dólar baixo pode prejudicar exportações e forçar empresas a renegociar seus produtos
Funcionários na linha de produção: dólar baixo pode prejudicar exportações e forçar empresas a renegociar seus produtos
O dólar atingiu nesta semana, ao romper a barreira dos R$ 1,80, o valor mais baixo dos últimos sete anos. A queda deve afetar diretamente o bolso dos calçadistas, que negociaram valor maior para exportação e poderão ter de reajustar seus preços se não quiserem estocar os pares já produzidos. Ontem, a moeda americana fechou em R$ 1,80. A estimativa dos especialistas é de que o dólar feche o ano entre R$ 1,75 e R$ 1,85. Isso significa que as empresas que exportam na cidade receberão ainda menos para produzir. Em maio deste ano, reportagem do Comércio apontava que, com o dólar a R$ 1,95, os empresários já exportavam abaixo do custo de produção e recebiam pelos produtos apenas 90% do que gastavam para produzir. Com o dólar mais barato, o cenário é ainda pior. A situação, embora grave e desfavorável para a exportação, não é surpresa para os empresários. Geraldo Ribeiro, diretor da Opananken, disse que a queda era esperada e por esta razão, cotou o dólar a R$ 1,90 junto ao Banco do Brasil. “Isso tem nos dado maior garantia, mas quem estiver exportando em grande volume e não reajustar seus preços vai quebrar”. O pessimismo de Geraldo não é diferente do que pensa o empresário José Rosa Jacomette, da Calçados Bardallo. “O dólar a menos de R$ 1,80 pode inviabilizar em até 100% as exportações que já estavam meio caóticas. Chegamos a um ponto crítico mesmo”. Jorge Donadelli, presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) avalia a queda como um “remédio amargo para os calçadistas”. “Ela nos força a novas renegociações com fornecedores e distribuidores nesse último trimestre”, reclama. Já o economista Luiz Carlos da Silva não acredita em mudança a curto prazo. “O Brasil é muito atrativo. Nossas taxas de juros são as maiores do mundo e, conseqüentemente, os estrangeiros vão continuar investindo aqui”. MERCADO INTERNO O “chororo” em torno da queda do dólar não se restringe apenas aos exportadores. Quem tem maior parte da produção focada no mercado interno também começa a se preocupar e vê o aumento da concorrência como reflexo do câmbio baixo. Assim, além de se preocupar com os calçadistas brasileiros, que podem mudar seu foco para o mercado interno, tem de enfrentar ainda os calçados chineses, que já são baratos e devem chegar ao Brasil ainda mais em conta. Da mesma forma, sapatos europeus, como os italianos, por exemplo, devem chegar a ter seus custos reduzidos na comparação com o produto brasileiro e concorrer com os nacionais. “Podemos esperar tudo do dólar agora, principalmente pela enxurrada de produtos no mercado interno”, disse Altamir Vicente Cândido, diretor da Calçados Masson. Colaborou Pablo Santos Pinto

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