Penso nas crianças, mudas, telepáticas...


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Meninas cegas inexatas, meninas e meninos com suas rotas naturais alteradas, à beira do caminho, na prostituição, no crime, no abandono, Hiroshima configurada de um Brasil, das muitas outras rosas deformadas, rosas estúpidas inválidas com cirrose, sem cor, sem perfume, sem nada, que se configuram pela inércia dos poderes constituídos. É o poeta Vinícius de Morais quem canta na sua Rosa de Hiroshima; contudo, não se esqueça da rosa, da rosa, da rosa... O Dia da Criança foi pensado na década de 1920, por iniciativa do deputado Federal Galdino do Valle Filho, e oficializado pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto 4687, de 5/11/24. Descoberto pela fábrica de brinquedos Estrela, que à época, em parceria com a Johnson e Johnson, lançava a ‘Semana do Bebê Robusto’, depois ‘Bebê Johnson’. Este concurso fez a alegria de muitas mamães por décadas e décadas. Em seguida, outras empresas viram neste dia uma oportunidade de negócios e escolheram o dia l2 como uma grande oportunidade de negócios, se transformando assim na data mais importante para o setor de brinquedos. E, é assim que este dia tem sido comemorado, como uma festa para o comércio. Esqueceram da rosa! Hiroshima é a cidade cobaia que transtornou, e ainda transtorna a consciência humana. Nagasaki teve a mesma sorte, mas Hiroshima será sempre a cidade sobre a qual se desencadeou o fogo do inferno atômico. O abandono, a negligência que atira à morte milhões de crianças pelo mundo, nas guerras, na fome, no abuso sexual, na prostituição, na exploração do trabalho infantil, configurando-se no inferno atômico de uma sociedade que ainda não se deu conta de que essa violência que vem da infância e adolescência marginalizada é, sobretudo, uma resposta à indiferença com que as rosas inválidas e cirróticas das políticas públicas insuficientes e inexistentes para a infância e adolescência, a partir da gestação. Esqueceram da rosa! Crianças têm sido acolhidas e assassinadas no lixo. Comem e se vestem do lixo. São assassinadas brutalmente, feito aborto coletivo de uma sociedade que insiste em dar as costas à vida. No Brasil do século XVIII, o acolhimento de órfãos tinha na roda dos expostos uma alternativa para receber bebês advindos de gravidez não programada (sic). Uma vez recebida pela Misericórdia, a criança era criada por amas-de-leite, geralmente até os três anos. As amas, mulheres pobres e na maioria sem nenhuma instrução, recebiam o pagamento pelos serviços prestados, o que podia prolongar o período de permanência dos pequenos, caso a casa tivesse condições de pagá-la durante esse tempo. Esta situação permitia inclusive, às próprias mães que abandonavam seus bebês, em seguida se oferecerem como nutrizes. Esqueceram da rosa! A Roda da Santa Casa. Muitos devem se lembrar, que na cidade de São Paulo moças de famílias de classe média alta, se submetiam a ocultar e depositar o fruto proibido na Roda dos Expostos, permitido em nome da moral e dos bons costumes, vigentes. A novela ‘O Direito de Nascer’ dramatizou, às muitas lágrimas, a possível história da Roda dos Excluídos. Indiscutivelmente, não por falta de uma roda e sim de uma efetiva rede da solidariedade, muitos “Albertinhos Limonta” não seriam executados. Angústia, lágrimas e silêncio... Esquecemos das rosas! AINDA FALANDO DAS ROSAS Uma boa notícia, como rosa entre espinhos, são os jardineiros da rosa da esperança. Esses, os que cuidam da vida do outro, como se fosse a sua. Ongs, creches, entidades assistenciais que cuidam dos deficientes, dos bebês enfermos, como o Berçário Dona Nina, profissionais da assistência social da rede pública e privada que cuidam das rosas machucadas, profissionais que ensinam-nas a recuperar a marcha, a fala, a auto estima; voluntários e voluntárias, dirigentes, alguns políticos que ainda se preocupam com os pequenos, imprensa em geral, pastorais, conselhos, juizados, promotorias, famílias de apoio e famílias acolhedoras. A roda dos tempos modernos. São os que cuidam para que esse jardim não feneça e que as “rosas exalem o perfume, o seu perfume de flor”, encantando a paisagem do mundo. Rogai por nós que esquecemos das rosas! FALA SÉRIO! SE VOCÊ CONTAR EU MATO! A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), desenvolveu um trabalho junto a crianças e adolescentes da Vila Olímpica da Mangueira, com o objetivo de fazer com que expressassem como eles percebiam os abusos sofridos. Frases como ‘Criança jogada no lixo’, ‘Se você contar pra alguém, eu te mato’ e ‘Juro que não conto, Pai’, são comuns em meio às imagens de agressão. A impunidade tem sido um grande complicador frente a esse tipo de violência, assim como a prevenção e tratamento da vítima e dos agressores. Fala sério, que mundo é esse que estamos deixando para nossos filhos? E que filhos estamos deixando ao mundo? Mais uma vez, depende de nós! VAIA JUSTA! Há falta de políticas públicas eficientes, pois as poucas que existem não conseguem alcançar as mães que assassinam filhos atirando-os pela janela, pelos rios e lixões. Há falta de subsídios às mães grávidas mais necessitadas, como garantia de que o filho e a gravidez não programada (sic) poderão efetivamente ter amparo legal conforme apregoa a lei que rege o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ainda, à falta de criatividade quanto a programas que incluam Famílias Acolhedoras da Vida em Gestação. A sociedade é muito colaborativa, mas é preciso que as ações lhes sejam propostas. Vaia à falta de criatividade nossa de cada dia!

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