Casal diz ter percorrido 40 cidades. De bicicleta


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Luiz Carlos e Márcia mostram o “quarto” que utilizam há quase dois anos em suas viagens (na verdade, uma barraca de camping): “Para nós dois, isto aqui tá bom demais”
Luiz Carlos e Márcia mostram o “quarto” que utilizam há quase dois anos em suas viagens (na verdade, uma barraca de camping): “Para nós dois, isto aqui tá bom demais”
Quase dois anos na estrada viajando de bicicleta, levando na bagagem algumas peças de roupas, uma barraca, um fogão adaptado com latinhas e três panelas. Essa é a vida do casal Márcia Francisco Alves, 34, e Luiz Carlos de Oliveira, 26. Eles se conheceram em janeiro de 2006, na cidade de Nova Ponte, Minas Gerais, onde ele vivia. Márcia dormia sob uma marquise quando Luiz a encontrou. “Estava passando e a vi. Convidei ela para subir no alto da serra, onde eu morava. Ela aceitou. A partir daí, começamos a namorar”, conta Luiz. O barraco de apenas um “cômodo” não foi suficiente para o casal. Entre uma conversa e outra descobriram que tinham o mesmo desejo: sair pelas estradas sem destino certo. A falta de dinheiro, que seria empecilho para qualquer pessoa viajar, não foi para o casal. Márcia e Luiz conseguiram uma bicicleta e, menos de dois meses depois de se conhecerem, estavam na estrada. A história não é ficção. O casal também não se inspirou no filme Caminho das Nuvens, em que o ator Wagner Moura e a atriz Cláudia Abreu viajam por cinco Estados brasileiros de bicicleta, com cinco filhos, em busca de um salário de R$ 1 mil. Diferente das telas do cinema, Luiz Carlos e Márcia saíram de Nova Ponte, sozinhos, sem definição do que buscavam. Percorreram todo o Triângulo Mineiro, passaram por várias cidades de Goiás, voltaram a Minas e decidiram conhecer o Estado de São Paulo. No dia 1º de setembro, chegaram a Franca. Desde então estão “hospedados” às margens da Rodovia Cândido Portinari, próximo a uma mata na entrada do Jardim Zoobotânico. Pretendem ir embora neste fim de semana. “Um a dois meses é o máximo de tempo que ficamos em uma cidade”, disse Luiz Carlos. Sem trabalho, o casal sobrevive da ajuda dos outros. Uma caixa de supermercado amarrada à garupa da bicicleta serve de armário para guardar a comida que ganham, além de panelas, sacolas com roupas e a barraca, que é armada sempre no final da tarde. [FOTO2] Os dias do casal não têm rotina. Levantam cedo, fazem café - quando têm - e saem de bicicleta rumo ao Centro da cidade - onde, quando dá, pedem dinheiro aos moradores. Além da mulher, Luiz leva tudo que eles possuem na bicicleta. Ele calcula que toda a bagagem ultrapassa 200 quilos. “Não posso deixar nada aqui. Não temos lugar para guardar nossas coisas”, disse Luiz. À tarde, o casal volta para o acampamento, alimenta-se, monta a barraca para dormir e espera a noite chegar, ouvindo um rádio à pilha. Para cozinhar, beber, tomar banho e lavar roupas, Márcia utiliza a água de uma mina que passa pelo local. “Essa água serve para tudo”, disse ela. Há uns 15 dias, Márcia e Luiz ganharam um novo companheiro: um cachorro que apelidaram de Kaite e que passaram a carregar para todos os lugares, e pretendem, inclusive, levá-lo para Nova Ponte. Os andarilhos garantem que gostariam de viver de outra maneira, mas ele diz não conseguir emprego. Já ela, disse que não sabe fazer nada e que há dez anos vive nas ruas - Márcia saiu da Bahia em 1997, deixando mãe e irmãos e chegou a Nova Ponte pedindo carona. “Encontrei o Luiz, que tinha o mesmo destino que eu, que é vagar por esse mundão afora”. Quanto aos sonhos, eles têm. Pensam em um dia deixar a vida que chamam de “cigana” e comprar um terreno. “Queria só um pedacinho de terra para fazer uma casinha para morarmos”, disse Luiz. Filhos? O casal não tem e não planejam ter. “Acho que tenho útero infantil. Nunca criei”, finaliza Márcia.

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