Márcia e Luiz garantem ter passado por mais de 40 cidades de Minas, Goiás e, agora, São Paulo. Em agosto de 2006 e deste ano, viajaram até Água Suja (MG), onde participam da Romaria dos Leprosos. Há 15 dias ele quis conhecer sua cidade natal, a vizinha Ibiraci. “Saímos daqui num sábado de manhã, chegamos lá à tarde, visitamos a cidade e voltamos para Franca no domingo de manhã”, conta Luiz, acrescentando que deixou Ibiraci ainda bebê. “Eu sabia que tinha nascido lá, mas não imaginava como era”.
Assim que deixar Franca, o casal planeja voltar a Ponte Nova e “descansar” por dois meses na fazenda de um tio de Luiz. Depois, os namorados pretendem pegar a estrada novamente e conhecer o litoral. “Nunca fui em uma praia. Essa será a nossa próxima viagem”.
Márcia e Luiz se dizem sozinhos no mundo. Ela deixou a Bahia há dez anos. Lá tinha mãe e cinco irmãos. Márcia já perdeu o contato com todos. Não sabe se a mãe ainda está viva e nem conta os motivos por que foi embora, diz apenas que “queria ganhar o mundo”. Foi pedindo carona que ela chegou a Nova Ponte. Nesses dez anos longe da Bahia, Márcia teve como casa apenas o barraco de Luiz. “Sempre dormi ao relento, debaixo de pontes”.
Já Luiz morou com a mãe e seis irmãos em Patrocínio de Minas e se mudou para Nova Ponte para trabalhar como ensacador de café. Como o pai era andarilho, resolveu seguir seu caminho quando se juntou a Márcia. E a saudade da família?. “Nós temos, mas fazer o quê? Não dá para voltar atrás”.
Para seguir viagem, o casal precisa consertar a bicicleta. “Os pneus e a catraca estão muito ruins”, disse Luiz. Quem quiser ajudar pode procurá-lo na margem da Rodovia Cândido Portinari, sentido Cristais Paulista, entrada para o Jardim Zoobotânico.
Luiz disse também que se conseguir um emprego de capinar, aceita feliz. “Assim eu juntaria um dinheirinho para levar embora”.
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