‘Considero-me francano’, afirma policial que criticou Luciano Huck


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De blusa branca (à esq.), investigador Roger Franchini
De blusa branca (à esq.), investigador Roger Franchini
Um policial civil que trabalhou por seis anos em delegacias de Franca e região é o responsável por uma polêmica nacional. O investigador Roger Franchini, 26, ganhou notoriedade ao criticar o apresentador Luciano Huck no dia 2 deste mês em uma carta publicada no jornal Folha de S. Paulo. Na missiva, o policial critica um artigo de Huck, publicado na própria Folha, em que o apresentador mostrou indignação com a polícia após ter um rolex roubado em São Paulo. Na ocasião, Franchini afirmou que sabia onde estava o relógio, mas não iria apreendê-lo “porque ganhava mal para arriscar a própria vida”. Roger foi intimado pela Corregedoria da Polícia Civil e prestou depoimento no início da noite de ontem, onde foi interrogado pelo delegado-corregedor Franciso Campos. Ele se negou, contudo, a comentar o conteúdo da conversa, mas mencionou que houve recomendação para que ele não falasse mais sobre o assunto. “Pode complicar, então prefiro não falar agora. O Datena, o Roberto Cabrini (ambos da TV Bandeirantes), todos me procuraram, mas prefiro não falar”, disse. Frachini é natural de Sertãozinho e veio para Franca estudar direito na Unesp (Universidade Estadual Paulista) em 2001. No primeiro ano da faculdade, prestou concurso para investigador da Polícia Civil e foi chamado. Começou a trabalhar em cidades da região e passou por Igarapava, Pedregulho, Patrocínio Paulista até chegar, no primeiro semestre de 2006, ao 2º Distrito Policial. O delegado titular daquele distrito, Luís Carlos da Silva, último chefe de Franchini antes da transferência, mostrou surpresa ao saber da polêmica. “O pessoal da delegacia apareceu com um jornal sobre o assunto, mas não acompanhei. Ele era um bom policial e ficou pouco tempo aqui”, disse. A mudança de Franca para São Paulo aconteceu em julho de 2006, seis meses após ter concluído a faculdade. Ele foi transferido para o 36º DP da capital. Motivo da mudança: a namorada, que vive na capital. “Considero-me francano, apesar de ter nascido em Sertãozinho. Tenho muitos amigos aí”, disse ele, em entrevista ao Comércio. Ontem, funcionários do 36º DP informaram que Roger continuava trabalhando normalmente. Já policiais que trabalharam com Franchini em Franca foram cuidadosos ao falar sobre o fato e pediram para não serem identificados. “É um cara muito gente boa. Sempre foi companheiro no serviço e a polícia da região perdeu em tê-lo na capital. Espero que ele continue conosco”, disse um investigador que trabalhou com Roger por aproximadamente um ano e meio. ARTIGO A polêmica que envolveu o investigador Franchini começou com um artigo de Luciano Huck, publicado na Folha no dia 1º. Ele criticou a política de segurança pública do Estado após dois bandidos, em uma moto e portando um revólver calibre 38, levarem um relógio Rolex dele. Huck escreveu: “Fico revoltado. Onde está a polícia? Onde está a ‘Elite da Tropa’? Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade”. No dia seguinte, Roger enviou uma carta ao jornal dizendo que a sabia “onde está o ‘rolex roubado’ do Luciano Huck” mas que não ia “trocar tiro com bandidos recebendo um salário base de R$ 568,29 ao mês (e agora sem o ticket alimentação de R$ 80,00 que nos foi retirado em agosto)”.

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