Lúcia Helena Aparecida Silva, 36, era uma diarista acima de qualquer suspeita. Prestativa e educada, ganhou a confiança dos patrões, um casal de idosos, em pouco tempo. Passou a conhecer segredos da casa e detalhes da rotina da família. Confiar nela foi um erro. Segundo a Polícia Civil, a mulher de aparência discreta foi a mentora de um roubo de R$ 200 mil em jóias no próprio serviço. Ela foi indiciada por formação de quadrilha e co-autoria em roubo. A polícia pedirá, hoje, sua prisão à Justiça.
O assalto aconteceu no dia 14 de setembro em uma residência na Vila Raycos. Na oportunidade, quatro homens armados invadiram o imóvel e renderam o agropecuarista Eurípedes Alves Pereira, 76, na garagem. De imediato, os ladrões passaram a perguntar pelo cofre onde estavam as jóias. Foram para o quarto e também dominaram a aposentada Dolcy Junqueira de Barros Pereira, 76, que ainda estava na cama.
O casal foi amarrado e obrigado a fornecer a senha do cofre. Os idosos não foram agredidos, mas ameaçados de morte o tempo todo.
Os ladrões roubaram as jóias avaliadas em R$ 200 mil, um revólver, talões de cheque e telefones. Tão logo os invasores deixaram a casa, as vítimas conseguiram se soltar e acionaram a polícia.
A equipe do delegado Márcio Murari passou a investigar o caso e descobriu que a doméstica, amiga do líder do bando, teria passado informações preciosas para os criminosos e contribuído para que entrassem na casa. “Curiosamente, no dia dos fatos, os bandidos comentaram que as vítimas já haviam sido roubadas anteriormente. Também disseram que pretendiam pegá-las um dia antes, mas que não foi possível. Apenas o casal e a doméstica sabiam destes detalhes. Logo, as suspeitas começaram a pesar contra ela”, explicou o policial.
Nos dias seguintes, os investigadores Juninho, Élcio e Calil conseguiram identificar os quatro assaltantes e os conduziram à sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Durante depoimento, um dos acusados confirmou o envolvimento da diarista e detalhou sua participação. “Ele disse que ela providenciou a cópia da chave e passou dados sobre a rotina da família, informando o horário em que o idoso saía de casa e o local onde ficava o cofre. Ela teria comandado a ação. No dia do roubo, ela, propositadamente, não estava na casa. Havia pedido folga”, conta Murari. Ele não disse quanto ela lucraria com o assalto.
Lúcia Helena foi conduzida à delegacia ontem e negou qualquer participação no roubo. Para a polícia, não há dúvidas de seu envolvimento. Como não foi pega em flagrante, foi liberada em seguida, a exemplo dos comparsas. “Ela foi indiciada formalmente por formação de quadrilha e co-autoria do roubo. Estamos formalizando o pedido de prisão, não só dela, mas dos outros quatro integrantes do bando”.
Tão logo a diarista passou a figurar como suspeita, o casal de idosos resolveu demiti-la. Ela trabalhava havia oito meses na residência. “Ela era uma pessoa de confiança. Não esperava que fosse capaz de fazer isto. Fiquei assustada quando descobri.
Agora, vamos tomar mais cuidado”, comentou Dolcy Pereira. Ela disse que havia contratado a empregada sem maiores referências.
Foi indicada por uma conhecida da família por telefone. “A pessoa pensava que ela era gente boa. Foi um erro nosso não ter verificado melhor”, completou Eurípedes. Apesar do esclarecimento do roubo, as jóias ainda não foram encontradas.
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