Trânsito tem solução?


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Tenho comigo que programas oficiais para reduzir acidentes de trânsito são de pouca utilidade. Qualquer marqueteiro sabe que determinadas soluções, só a ferro-e-fogo. Para reduzir acidentes de trânsito não basta veicular estatísticas. É preciso causar impacto. É indispensável expor sem pudores os danos profundos e incalculáveis causados a pessoas e famílias. Para chocar e fazer pensar, é preciso mostrar fotos. A propaganda do cigarro modificou o comportamento de muitos. Estão nos rótulos as fotos de pacientes em fase terminal. As fotos causam impacto e conscientizam. No trânsito, prego a que veículos destroçados e nos quais morreram pessoas deveriam ser expostos em praça pública. Entendo que as grades curriculares das escolas públicas deveriam voltar a privilegiar Educação Moral e Cívica (lembram-se dela? Cheguei a estudá-la na Escola “Torquato Caleiro”, antes que fosse relegada a nada). Hoje, falta ao nosso povo, educação, moral e civilidade. O que estamos enfrentando agora também é conseqüência da supressão de disciplinas como aquela, consideradas menos importantes que Matemática, Português, Física etc. No mundo moderno e consumista em que vivemos, nossos filhos estão sendo “educados” por escolas sem qualquer consideração pela vida e pelo respeito que se deve ao outro. A vida, o nome e a família deixaram de ter importância. O que vale é o que você tem, o quanto registra seu Imposto de Renda na relação de bens. O próprio governo contribui: tenta aprovar lei que facilita o aborto. Voltando aos acidentes, não posso generalizar. Há acidente e acidente. Me refiro aos acidentes que poderiam ser evitados e claro, às pessoas que dirigem sem carteira de habilitação, embriagadas, com veículos sem mínimas condições de tráfego. E a má qualidade de quem dirige, prospera. Semana passada me espantei: soube que um analfabeto tem carteira de habilitação! Penso que estamos em tempo de guerra. Em casos assim, é preciso tornar a legislação mais dura, e que garanta, fora das ruas, os capazes de matar a si e a outros. É indispensável um choque severo. Quando entrou em vigor o atual Código de Trânsito foram feitas prisões diárias. Motoristas embriagados foram tirados de circulação sem direito a grito. Hoje, se você observar bem, encontrará quem matou e ficou livre pagando fiança ou porque não havia perito que atestasse a embriaguez. Nosso trânsito tem solução? Sim, mas tem que ir além da indispensável reinstalação de radares. É preciso conscientizar pela exposição das vísceras, de nomes e de fotos. A discussão sobre o aborto prospera porque não se divulgam as técnicas de realização. Onde há gente consciente, não há risco de erro. Quem de nós, algum dia, não mudou comportamento quando se deparou com uma dura realidade? Perder alguém muito próximo por acidente, por exemplo... ACIR DE MATOS GOMES é advogado com atuação em Tribunal de Júri, corretor de imóveis, adesguiano e palestrante

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