Todo o imbróglio da disputa entre Camargo Correa e Odebrecht em torno do Rio Madeira se resume ao acordo de exclusividade da GE Hidrology (fabricante de turbinas) com o segundo grupo.
Recordando:
1. A Odebrecht bancou os estudos para as duas hidrelétricas do Rio Madeira.
2. No decorrer dos estudos, fechou contrato de exclusividade com alguns fornecedores, alegando a questão do segredo industrial (que estaria nas formas de otimização dos equipamentos dos três fornecedores selecionados).
3. No meio do caminho, a GE pulou fora. Mas manteve o acordo de exclusividade, com a Odebrecht comprometendo-se a não fechar com outro consórcio.
O que levou a GE a pular fora foi a tentativa do grupo de vender a divisão GE Hidrology para a argentina IMPSA. Em meados deste ano as negociações foram interrompidas e a GE voltou à luta, tentando se associar a um dos grupos competidores. Mas estava amarrada ao contrato de exclusividade com a Odebrecht.
O que está em jogo?
Odebrecht - Sustenta que existem outros fornecedores disponíveis, incluindo a argentina IMPSA, a russa Power Machine, a japonesa Hitachi e a chinesa Harbin. Logo, a tentativa de liberar a GE do seu compromisso visaria se apropriar do desenho da casa de máquinas, preparado pela própria Odebrecht.
Camargo Correa - Diz que a única coisa que precisa saber é quem será o fornecedor, para poder dimensionar o tamanho da turbina.
E também ter um preço fechado para os equipamentos. Desenhar casa de máquina é algo banal. Sustenta que não pode recorrer a fornecedores externos porque eles precisariam de uma base interna, uma empresa que pudesse montar os equipamentos enviados.
Odebrecht - Diz que existem muitas empresas, como a Bardella, a própria GEHI (associação entre a GE Hidrology e a paranaense Inepar), Mecânica Pesada etc. Diz que a exclusividade foi acertada apenas com a GE americana.
Camargo Correa - Diz que precisa da proposta do fornecedor com um valor firme para a turbina. E que não haveria tempo útil da Hitachi ou outro fornecedor externo para acertar contrato com fabricantes nacionais. Quanto à GEHI, informa que, depois que a Odebrecht entrou com uma ação na corte americana, os gringos não atendem mais nem os telefonemas da Camargo.
Odebrecht - Diz que há o caminho da importação.
Camargo Correa - Com importação, perderia direito ao financiamento do BNDES.
Odebrecht - Não perderia porque apenas uma parte dos equipamentos será importada. Além disso, os países estrangeiros têm financiamento favorecido para exportação de máquinas e equipamentos.
Camargo Correa - Diz que os financiamentos são apenas para empresas públicas, não para empresas privadas.
Odebrecht - Com imposto de importação e tudo, considera que o acréscimo de preço do importado será irrisório.
Camargo Correa - Considera que o aumento poderá ser de 10%, principalmente devido ao fato da necessidade de hegde cambial, já que os financiamentos serão em dólares.
É briga de cachorro grande. O importante é que, depois da Odebrecht ter apresentado o projeto básico, a EPE (Empresa de Planejamento Estratégico) do governo contratou consultores do Banco Mundial para reavaliar. Com isso conseguiu um preço mínimo cerca de 25% inferior ao inicial.
TELEFÔNICA
O BNDES aprovou ontem financiamento de R$ 2 bilhões à Telefônica. Trata-se do maior empréstimo concedido a uma única empresa neste ano pelo banco estatal -que já havia contratado R$ 1,3 bilhão com a Transpetro, mas os recursos serão para construir 20 navios em diversos estaleiros - os tomadores de fato do crédito. Esse é o terceiro maior empréstimo do banco a empresas do setor de telecomunicações. No ano passado, o BNDES aprovou financiamentos de R$ 2,4 bilhões à Oi (ex-Telemar) e R$ 2,1 bilhões à Brasil Telecom, respectivamente. Desde a privatização do setor de telefonia, o BNDES já aprovou R$ 21,6 bilhões em crédito às empresas do segmento. O BNDES ressaltou ainda as condições do banco para financiar o setor: os empréstimos estão limitados a 60% do valor total dos bens e serviços nacionais usados nos projetos e/ou a 100% do itens com tecnologia desenvolvida no País por empresas brasileiras.
VOTORANTIM
Executivos da Votorantim anunciaram investimentos de R$ 25,7 bilhões entre 2008 e 2012 com o objetivo de abastecer o mercado interno. As áreas de investimento previstas pela empresa são: metais (R$ 11,1 bilhões), celulose e papel (R$ 9,6 bilhões), cimentos (R$ 2,1 bilhões), energia (R$ 2 bilhões) e suco de laranja (R$ 900 milhões). A Votorantim estima a criação de ao menos 11 mil empregos diretos até 2012. Do total, R$ 8,8 bilhões já devem ser empregados em 2008. Nos últimos seis anos, a empresa investiu nas mesmas áreas cerca de R$ 19 bilhões - R$ 6,7 bilhões a menos do que o anunciado ontem. A empresa pretende criar dez unidades para a produção de cimento e reativar outras quatro. Na área de metais, os principais investimentos serão feitos em SP, RJ, MG e GO, para a produção de níquel contido, zinco, chumbo, aços longos e alumínio. Já em relação a celulose e papel, devem ser investidos R$ 4,7 bilhões em MG e R$ 4,4 bilhões no RS.
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