Cinco horas e meia. O intervalo de tempo evitou que um médico fosse assassinado dentro da UBS (Unidade Básica de Saúde) 24 horas do Jardim Aeroporto, zona sul de Franca, ontem. Um homem armado invadiu o local acompanhado de um outro, durante a madrugada, perguntado pelo paradeiro de um médico que atende na unidade. Alterado, disse que ele ‘pagaria’ por ‘ter mexido’ com sua família. Por sorte, o plantão do profissional começaria apenas no período da manhã. A UBS fechou suas portas em seguida.
O agressor deixou o local sem ser detido. A invasão não teria sido motivada por algum paciente irritado com o atendimento prestado, mas, sim, por causa de drogas.
A rotina do posto de saúde foi quebrada à 1h30, quando um homem branco aparentando 30 anos, usando calça jeans e camisa, invadiu as dependências da unidade. Estava acompanhado de outro homem com aproximadamente 50 anos. Segurando um revólver calibre 38, passou a ameaçar os funcionários. Queria de todas as maneiras falar com o médico e exigiu que lhe passassem o telefone dele. O invasor alegou que já havia ido a Batatais, onde mora o médico, e dito a ele “que mexeu com a família errada”.
O profissional chegaria à UBS apenas às 7 horas para trabalhar. Diante do imprevisto, o indivíduo armado e o senhor, que seria seu pai, foram embora. Antes, disse que ainda o pegaria (o médico). Não havia seguranças na unidade. Temendo que o rapaz voltasse para concretizar as ameaças, a diretora determinou que as portas fossem fechadas. O atendimento aos usuários só foi restabelecido às 6 horas.
Fontes disseram que o guarda-civil responsável pela vigilância teria sido transferido há dias para outro setor. O secretário de Governo, Odair Tristão, alegou que o servidor teria faltado apenas ontem devido a problemas de saúde com o filho. Nenhuma atitude foi tomada pela Prefeitura durante o dia para evitar que a invasão se repetisse. A reportagem esteve na UBS em horários alternados e não avistou seguranças. A ocorrência foi registrada no Plantão Policial e será investigada pelos agentes do 4º DP.
O médico que escapou por pouco dos tiros é o mesmo que respondeu a uma sindicância interna da Secretaria de Saúde e chegou a ser afastado do serviço, há um ano, acusado de consumir drogas no interior da UBS. Como nada ficou provado, retornou às atividades.
O suposto envolvimento do médico com entorpecentes teria sido a causa da invasão de ontem. A Polícia Civil recebeu denúncia anônima de que o autor das ameaças seria uma pessoa conhecida do profissional, a qual estava irritada com o médico por ele ter levado uma parente dele para o mundo das drogas.
O médico não trabalhou ontem e, segundo fontes, estaria sob efeitos de medicamentos. Ele também não foi encontrado pela reportagem para falar sobre o caso. Responsável pela apuração, o delegado Dalmo Pólo não retornou às ligações do Comércio.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.