Os moradores de rua de Franca estão na mira do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome. A capital do calçado foi uma das 60 cidades selecionadas para se fazer a Contagem Nacional da População em Situação de Rua, que será realizada em todo o País durante o mês de outubro. Estima-se que aproximadamente 90 pessoas morem nas ruas da cidade. A data do levantamento foi apurada pela reportagem, só que a pedido do ministério não será divulgada. Além de Franca e das capitais, apenas 36 outras cidades terão seus moradores de rua contados.
O levantamento, feito em parceria com a Unesco, é inédito no País e funciona mais ou menos como o Censo, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a obtenção de informações sobre a população. A intenção é levantar dados para a elaboração de políticas públicas para a integração destes cidadãos na sociedade. Além disso, será possível traçar o perfil destas pessoas para se saber, inclusive, o motivo de não terem moradias fixas.
De acordo com Priscila de Souza Oliveira, coordenadora do projeto em Franca, são 11 pessoas envolvidas na contagem na cidade. “Temos oito pessoas que aplicarão o questionário, duas que têm um contato bem próximo com esta população e que vão ajudar na localização dos moradores de rua e uma na coordenação”.
Ao todo, são 2,5 mil pessoas envolvidas na pesquisa em todo País. O levantamento será realizado pela Meta, empresa sediada no Rio Grande do Sul. Ex-moradores de rua, assim como integrantes dos movimentos sociais, participarão da pesquisa para, como citou Priscila, servirem de ponte entre os pesquisadores e os moradores.
O secretário de Desenvolvimento Humano e Social, Roberto Nunes Rocha, explica que a escolha de Franca se deve ao objetivo de se analisar um universo amplo em relação às cidades brasileiras. “São 60 municípios brasileiros de características diferentes. Existem metrópoles, municípios de grande, médio e pequeno porte. Este universo apresenta características bem diferentes, o que vai servir para que o governo federal tenha um mapa mais real da situação da população que mora nas ruas”.
Além destes fatores, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, um levantamento da rede de serviços voltada à população de rua também foi avaliado para a escolha da cidade para a pesquisa. São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre não participarão da contagem por já terem estudos próprios.
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