A utilização de mendigos por terceiros para arrecadar dinheiro foi um dos temas discutidos ontem em uma reunião realizada no Comfort Hotel para discutir a situação dos moradores de rua. O assunto ganhou polêmica depois do presidente da OAB em Franca, Mansur Jorge Filho, dar uma declaração dizendo que suspeitava que muitas pessoas que não precisam pedem esmolas como forma ilícita de ganhar a vida.
De acordo com o promotor de Justiça Joaquim Rodrigues de Resende Neto, é necessário separar as pessoas que necessitam de atenção do aparato social das que utilizam a situação social dos mendigos para cometerem crimes. A diferenciação, para que não ocorra uma “caça às bruxas”, foi bastante ressaltada durante o evento. “A preocupação do Ministério Público é que estes moradores de rua não sejam duplamente vitimados por estas pessoas que não aparecem, ficam às escondidas e utilizam destes moradores para a mendicância e prática de atividades ilícitas”.
O promotor diz que, em muitos casos, os moradores de rua são ameaçados e até mesmo agredidos. Além disso, ele ressalta que foram notados exemplos em que a pessoa estava mendigando e, depois de determinado horário, foi embora de carro. “Já vimos casos de pessoas que ficam mendigando durante o dia são buscados por familiares no final “do expediente”. Em muitos casos, são beneficiários do sistema de proteção social. Não podemos permitir este tipo de coisa.” A polícia estaria investigando tais casos.
Ivan da Cunha Souza, diretor vice-presidente da OAB, diz que este sistema de “cobrança” dos mendigos é orquestrado por pessoas específicas. “Existem constatações de que existe formação, eu não diria quadrilha, mas de pessoas que aproveitam de quem está em situação de risco”, disse.
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