Informamos na semana passada que a prática da cópia na indústria de calçados de Franca e a disseminação da concorrência desleal revelam estar essa atividade sem rumo.
É um grupo investindo em conhecimento para ter produto vendável, aparecendo atrás uma legião de copiadores leiloando as imitações aos lojistas.
Para o agente de exportação Cassiano Pimentel, ex-vice-prefeito de Franca, essa anomalia ocorre pela preguiça que predomina no meio calçadista. “É mais fácil copiar quem faz sucesso do que andar com as próprias pernas”, afirma. “Encontrar um caminho para os negócios progredirem não é tão difícil como parece, apenas exige esforço e criatividade do fabricante”.
Há 24 anos ele trabalha com vendas no mercado internacional. Antes, dedicava tempo integral ao agenciamento de calçados, hoje sua carteira de clientes é bastante diversificada (de produtores de açúcar a de refrigerantes). Diz sem meias palavras que decidiu reduzir a comercialização de sapatos pela “carência de mentalidade empresarial nessa indústria”.
Pimentel avalia que o calçadista francano “sabe fazer sapato, mas ainda não sabe vender”. O histórico do comércio exterior da cidade demonstra isso. Embarcava-se uma montanha de pares aos norte-americanos, até fins de 1980. Com modelos e preços impostos pelos compradores, a valorização do dólar tornou-se a única possibilidade do exportador ter saldo financeiro positivo.
Preço baixo do dólar prejudica as exportações, reconhece o agenciador. Ele pondera, no entanto, que o calçadista demonstra sua fragilidade ao depender basicamente do câmbio favorável para atuar no exterior. Foi-se a época das grandes encomendas, transferidas aos asiáticos. A alternativa agora é entrar nas vitrines lá fora com calçados de maior valor agregado. Consegue-se isso com estratégias já experimentadas e bem-sucedidas, ressalta.
“Há mercados e as exportações de Franca podem crescer novamente”, acrescenta Pimentel. “Vislumbramos essa possibilidade com os fabricantes que aprenderam ou estão aprendendo a vender. Agora, quem continua sendo comprado e depende basicamente do câmbio favorável para viabilizar sua fabricação, esse caminha para o fechamento da empresa”.
O calçadista, no geral, irrita-se com as críticas à sua atuação. Reclama ser mais apedrejado do que acariciado. Considera-se um injustiçado, especialmente por não ter reconhecida sua incontestável capacidade empregadora. “Não temos favela em Franca por causa do grande número de trabalhadores que empregamos”, diz ele.
A comunidade tem o direito de opinar sobre o desempenho dos calçadistas, porque grande parte dela depende dessa indústria, direta ou indiretamente. Se há “críticas destrutivas”, conforme alegam os fabricantes, por que não se defendem? A classe raramente se protege do reclamado apedrejamento. Ou é masoquista ou não tem argumentos para a defesa...
CONSTATAÇÕES
Ser bom gerente é manter as pessoas que o detestam afastadas das indecisas. (...) As soluções estão no mercado e não dentro das empresas. (...) Nada é tão fácil como parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
CONSUMO
As compras de calçados com cheques pré-datados cresceram 28,36% de janeiro a agosto, comparadas às do mesmo período do ano passado. O valor médio do parcelamento feito pelo consumidor no varejo nacional atingiu 65 reais (era de 60 reais e aumentou 7,25%). É o que mostra levantamento da Telecheque.
CONTRABANDO
Aumenta a entrada no País de mercadorias contrabandeadas. As apreensões feitas nas fronteiras somam R$ 674 milhões até agosto. De janeiro a agosto do ano passado foram R$ 548 milhões. Houve alta de 22,9%. Os cigarros lideram a lista de apreensões (R$ 54,4 milhões), vindo em seguida óculos de sol (R$ 54,1 milhões), calçados (R$ 49,2 milhões) e têxteis (R$ 34,1 milhões). A Receita Federal apreendeu R$ 871 milhões em mercadorias contrabandeadas em 2006. Calcula que neste ano o valor deve chegar a R$ 1 bilhão. Além do contrabando e da pirataria, cresce também a entrada de produtos subfaturados – ou seja, os importadores declaram valores muito menores do que os de mercado.
VANTAGENS
A maioria dos especialistas em administração recomenda a contratação de executivos nas empresas familiares, para resolverem conflitos entre parentes e realizarem uma gestão mais profissional. A medida é considerada indispensável, principalmente quando essas empresas começam a perder mercado e ficar sem perspectiva de recuperação.
Para o psicólogo Ivan Lansberg, a profissionalização é a chave para a empresa familiar sobreviver. No entanto, isso necessariamente não precisa ser feito com estranhos. “Muitas vezes, os problemas não decorrem de conflitos internos e sim de perda de sintonia com as mudanças no mercado”, afirma.
“As empresas mais produtivas são as que investem fortemente em recursos humanos’, prossegue. ‘E, nesse sentido, não há nada mais produtivo do que uma família dedicada a fazer algo. Imagine que você, seus pais e irmãos estão num barco à deriva no meio do oceano. O ímpeto pela sobrevivência é maior dentro da família, porque existe uma capacidade maior de cooperação do que outro grupo composto por estranhos”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.