Os vereadores de Franca gastaram, nos últimos 20 meses, R$ 44 mil com viagens. Na conta estão incluídas passagens aéreas e terrestres, reembolso de combustíveis, estadia, pedágios e alimentação. Somente os vereadores Gilson Pelizaro (PT) e Marcelo Mambrini (PMN) gastaram, juntos, R$ 22,7 mil, ou 51,5% do total.
Os 15 parlamentares, sozinhos, são responsáveis diretamente por 81,1% dos gastos, ou seja, R$ 35,8 mil. O restante fica dividido entre o pedágio “Sem Parar” e despesas de outros funcionários do Legislativo. De acordo com os vereadores ouvidos pela reportagem, não houve turismo. As viagens, para eles, foram “necessárias” e tinham por objetivo “buscar recursos para a cidade”.
Quem mais utilizou recursos (R$ 11,8 mil) foi Pelizaro. Os principais destinos foram Brasília e São Paulo. Para o petista, o montante não é exagerado e gera benefícios. “Só com uma viagem consegui a liberação de R$ 1,5 milhão para a Santa Casa. Vou continuar viajando atrás de benefícios para a cidade, tanto que na quarta-feira que vem, voltarei a Brasília para discutir a questão da vinda da Polícia Federal”, disse. “Nunca fiz turismo com recursos da Câmara”.
Vice-campeão, Mambrini gastou R$ 10,9 mil. Reconheceu ter ido a São Paulo pelo menos duas vezes, com dinheiro da Câmara, para acompanhar eventos de interesse dos policiais militares. Também relacionou um encontro na Secretaria de Transportes quando foi discutida a duplicação do trecho da Rodovia Cândido Portinari. “Se em dez viagens nove não renderem nada, mas em uma a gente trouxer melhorias para a cidade, acho que já valeu”, disse. “Ainda não virou, mas imagine se a gente consegue ajudar a duplicar a rodovia? Será um grande feito”.
Também chama a atenção a situação de Josivaldo “Bahia”. Nos três meses que ocupou uma cadeira na Câmara como suplente de Graciela Ambrósio (então PDT, hoje PP), fez uma viagem para São Paulo para pedir recursos a uma entidade do Jardim São Luiz. Gastou R$ 480 e, com isso, figura em nono lugar entre os que mais gastaram. “O duro é que até hoje o dinheiro não veio”, disse Bahia.
Apenas três vereadores não utilizaram quaisquer recursos com viagens. São os casos de Luiz Carlos Fernandes (então PDT, hoje PSDB), Graciela Ambrósio e Donizete da Farmácia (PMN). “Costumo ir a São Paulo para resolver assuntos de minha empresa e já faço meus contatos na Assembléia Legislativa. Prefiro pagar do bolso do que gastar dinheiro público”, disse Fernandes.
DESPESAS
O pedágio “Sem Parar” responde por 11,8% do total. Foram R$ 5,2 mil utilizados com os pagamentos das taxas. Os funcionários administrativos da Câmara também têm sua parte nos gastos. De janeiro de 2006 para cá, empregaram R$ 3 mil em viagens de serviço. A diretora-financeira do Legislativo, Célia Falleiros, afirmou que os recursos tiveram de ser aplicados para que os funcionários, em especial de seu departamento, fizessem cursos e atualizações. “Temos de cumprir as exigências da Audesp e do TCE”, disse.
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