PM recebe 500 ligações por dia; boa parte é trote


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O capitão Wellington observa atendentes do Centro de Operações da Polícia Militar recebendo chamadas do sistema de emergência 190: brincadeiras, piadas e trotes atrapalham trabalho dos policiais e geram prejuízo &a
O capitão Wellington observa atendentes do Centro de Operações da Polícia Militar recebendo chamadas do sistema de emergência 190: brincadeiras, piadas e trotes atrapalham trabalho dos policiais e geram prejuízo &a
“Alô, é da Polícia Militar? Vocês sabiam que a caixa d’água está pegando fogo? Tum, tum, tum.” Os atendentes do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) estão cansados de ouvir brincadeiras do tipo. Todos os dias, o 190 recebe uma média de 500 ligações. A maior parte delas, algo em torno de 85%, não está diretamente relacionada à criminalidade. Pedidos de orientação, piadas de mau gosto ou, simplesmente, trotes sobrecarregam o telefone de emergência e causam transtornos aos atendentes. E prejuízos às verdadeiras vítimas. Não são raros os casos em que viaturas se deslocam para atender uma falsa comunicação de crime enquanto uma ocorrência real se desenrola em algum outro ponto da cidade. O Copom funciona em sala anexa ao 15º Batalhão e tem capacidade para receber até seis ligações simultâneas 24 horas por dia. Em duas salas com seis computadores em rede, os atendentes fazem a triagem das chamadas e, confirmada a necessidade de intervenção policial, passam as informações via rádio para as guarnições - equipes de policiais - que estão na rua. Apenas 15% dos telefonemas resultam em ocorrências. As histórias que caem no 190 são as mais diversas possíveis. Solicitação de orientação social, palavras de assédio aos policiais e piadas são as situações mais freqüentes. Na quinta-feira, 27, por exemplo, o Centro de Operações da PM atendeu a 382 chamados que não não originaram ocorrências. “Temos um número elevado de ligações vindas de orelhões, em que a pessoa não está avisando a existência de um crime ou precisando de auxílio. Muitas das chamadas são crianças ou pessoas dizendo impropérios. Diariamente, recebemos uma média de 350 telefonemas do gênero. O 190 só deveria ser usado em caso de urgência”, disse o capitão Alexandre Wellington de Souza, oficial de operações. Com os investimentos em tecnologia e no treinamento dos atendentes, os trotes propriamente ditos - que são as falsas comunicações de crime - estão sendo reduzidos. Denúncias inverídicas de tráfico de drogas e furtos são as mais comuns. “Ainda temos tentativas, sim, de se aplicar trotes no sistema 190, mas todos os atendentes foram treinados para extrair do solicitante o máximo de informações e tentar compatibilizá-las com a ocorrência que está sendo relatada. Na maior parte das vezes, os trotes são de pronto identificados, não gerando a movimentação policial para atendimento a essa falsa comunicação de crime. Por meio do loca-lizador e do sistema computadorizado, registramos e gravamos as chamadas. Com isso, temos como identificar de onde foram originadas, como foi o atendimento e o tempo de resposta”. Quando não tem a confirmação se a ocorrência é verdadeira ou não, o Centro de Operações acredita na denúncia e manda a viatura mais próxima fazer a constatação. Só na manhã de sexta-feira, 28, por exemplo, em quatro situações se confirmou que o “Q.R.U (‘problema’, no linguajar policial) era N.I.H.I.L (‘nada’)”.

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