Para os baladeiros de plantão, se manter de pé a noite toda e não perder nenhum minuto de curtição é questão de honra, mas não há “Popeye” ou “Super-homem” que agüente tanto desgaste. Nestes casos, a solução encontrada, principalmente pelos jovens, normalmente, é o consumo de bebidas energéticas. A substância gaseificada ajuda a dar aquela “arribada” no astral, pois combina agentes estimulantes que, na corrente sanguínea, ativam o metabolismo do corpo, fazendo com que ele se reanime e não sinta, momentaneamente, os efeitos do cansaço.
Os energéticos são vendidos em latas de 250 ml, custam entre R$ 4 e R$ 7 e são facilmente encontrados em supermercados, lojas de conveniência, bares, boates, botecos e restaurantes. As marcas mais vendidas são Red Bull, Flash Power, Burn, Flying Horse, Energy Drink e Bad Boy. Mas os nutricionistas alertam: o composto “milagroso”, mesmo que comercializado sem restrição, não deve ser consumido por qualquer pessoa.
Para a nutricionista Ana Carolina Maretto, o perigo está na vilã cafeína, um dos principais componentes da bebida. “Se uma pessoa quer ir para a academia e está cansada não vejo problemas em tomar um energético, mas não pode virar rotina porque mais de 100 ml de cafeína por dia (quantidade contida em 4 copinhos de plástico de café) faz o coração bater mais rápido, dá enxaqueca, deixa o estômago ácido e até pode viciar”. Os energéticos tem entre 300 e 400 ml de cafeína. Assim, pessoas com hipertensão, problemas gástricos, cardíacos e que sofrem de insônia não podem nem pensar em energéticos.
Cinthia Parisi, também nutricionista, diz que o açúcar (carboidrato) encontrado na bebida é uma faca de dois gumes, porque ao mesmo tempo que deixa a pessoa turbinada, pode causar diabetes se consumido em excesso (mais de 1500 calorias por refeição). Outros “pozinhos mágicos”, como a guaraná, vitaminas, ginkgo biloba e a taurina, também são encontrados nos energéticos. Eles dão “asas” aos efeitos colaterais da cafeína e ativam ainda mais o organismo.
Mas é a mistura atômica de energético e bebida alcoólica que realmente preocupa os profissionais da saúde. Para o professor de Farmacologia, da Universidade de Franca, Ranieri Barbosa, o corpo fica perdido, porque as duas substâncias mandam estímulos diferentes. “Depois que você bebe algo com teor alcoólico, vem aquela deprê, se logo em seguida você ingerir energético, o corpo vai se sentir novamente estimulado. Muitas vezes isso faz com que o organismo não saiba o que fazer, principalmente, se as duas bebidas forem tomadas juntas”. Pode não parecer, mas o problema é sério e pode até causar convulsões.
A desidratação também é um dos riscos da mistura porque tanto o álcool como a cafeína do energético fazem com que o corpo queira eliminar água mais rápido, daí o entra e sai no banheiro é inevitável.
Para repor as energias sem precisar dos energéticos, os especialistas recomendam comer frutas ou massas. Como esses alimentos também têm carboidratos, o resultado será o mesmo. A desvantagem é a demora para sentir o resultado. Para serem absorvidos pelo organismo, os alimentos demoram, em média, 40 minutos. A bebida é absorvido em, no máximo, 20.
A “XANANAM”
A Red Bull (Touro Vermelho, em português) é a marca campeã de vendas em energéticos e foi legalizada em 1987 pelo austríaco Dietrich Mateschitz. Ele fatura uma quantia de cerca de 21 bilhões de euros por ano, com a venda de apenas um produto. São 3 bilhões de latas em mais de 140 países. Nos Estados Unidos, é responsável por metade do mercado e é também sucesso no Brasil. O nome vem de taurina (componente), que tem uma cor avermelhada (red) e lembra touro, que, em inglês, é bull.
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