Na sabatina que prestou à Folha, a Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff ironizou essa questão da gestão técnica sobre a política. Disse que são indissociáveis. E ironizou os “choques de gestão” - os modelos de gestão que pretendem resolver tudo em um ano.
Há muito preconceito de lado a lado em relação à chamada qualidade total no setor público. Parte dos erros conceituais é daqueles que acham que gestão tem que ser eminentemente técnica. Parte, dos que julgam que a gestão desumaniza a política, por isso não deve ser utilizada no setor público.
A gestão é apenas uma maneira de alcançar objetivos propostos. Jamais ela poderá se sobrepor aos objetivos. Em uma empresa, por exemplo, o Conselho de Administração propõe um plano de ação. Cabe à diretoria executiva, armada das ferramentas de gestão, perseguir os objetivos propostos, buscando reduzir custos, aumentar as vendas, e melhorar a rentabilidade.
No plano da administração pública a diferença são os objetivos propostos. A administração não visa o lucro, mas o bem-estar dos cidadãos. Cabe aos políticos expor seus planos de ação aos eleitores. Depois, se eleitos, implementar o que foi prometido.
É aí que entra a gestão. O papel dela será compatibilizar as prioridades de campanha com os recursos disponíveis. E procurar reduzir os custos permanentemente, sem reduzir o atendimento. Ou até ampliando, se os recursos economizados continuarem dentro do sistema.
Hoje em dia a questão da gestão e do desperdício é tratada de maneira falaciosa. O padrão Giambiagi de raciocínio binário, por exemplo, sustenta que, como as verbas sociais são mal gastas, a alternativa seria cortar as verbas. Ora, um setor com pouca gestão, se reduzir ainda mais os recursos entra em colapso.
Na outra ponta, sanitaristas acham que o problema do SUS (Sistema Único de Saúde) não é gestão, mas falta de recursos. Ora, mais recursos com má gestão significam mais desperdício.
É aí que entra o papel insubstituível dos indicadores.
Vamos imaginar dois indicadores relevantes para os hospitais: tempo de internação; e índice de resolutibilidade (de cura do paciente). Quanto maior o tempo de internação, maiores os custos do hospital (e dos planos de saúde ou do SUS). Se trabalhar somente em cima desse indicador, o hospital será instado a liberar os pacientes antes que estejam plenamente curados.
Por outro lado, se o único indicador a ser perseguido for o de resolutibilidade, o hospital procurará cercar o paciente de todos os exames possíveis e aumentará ao máximo o tempo de internação. O custo ficará proibitivo.
Ao juntar os dois indicadores, o jogo clareia. O hospital tem que cumprir uma meta de redução do tempo de internação e, ao mesmo tempo, aumentar os índices de resolutibilidade. Acaba a simplificação grosseira.
Quanto ao conceito de “choque de gestão”, a Ministra tem razão em dizer que essa história de em um ano resolver tudo é balela. É balela sim. Mas o Movimento pela Qualidade, no Brasil, há muito aboliu essas falsas magias e passou a trabalhar em torno do conceito das melhorias contínuas.
MICROSOFT
A Microsoft pisou no acelerador das vendas. Até 2010, a empresa de Bill Gates quer passar a marca dos US$ 700 milhões em faturamento no Brasil. Hoje as receitas são de cerca de US$ 530 milhões, metade do resultado da América Latina. Para atingir essa meta, já está em curso uma estratégia de expansão a que a reportagem teve acesso com exclusividade. Um novo escritório será aberto em Ribeirão Preto (SP) - agora são oito no total - e 24 funcionários foram contratados para atuar diretamente em 17 cidades, dez a mais que em 2006. Esse time dará suporte às empresas-parceiras, que devem passar de 15 mil para 18 mil em três anos. Elas fazem as vendas de softwares e serviços em nome da Microsoft. O Nordeste é um dos focos. O escritório de Recife mandará funcionários para atender Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Belém (PA). “Proporcionalmente, as vendas na região superam a média nacional”, afirma Michel Levy, presidente da Microsoft no Brasil. Isso não quer dizer que os grandes centros perdem força.
No Sul, Florianópolis (SC) e Maringá (PR) também terão funcionários da Microsoft. No Centro-Oeste, Goiânia foi contemplada. No Sudeste, o escritório de Ribeirão Preto (SP) cuidará de Campinas, Jundiaí e São José do Rio Preto. O crescimento da internet levou a Microsoft a potencializar as metas de venda de softwares por um modelo conhecido como Saas (Software como Serviço). Pelo sistema tradicional, o cliente compra um software e paga uma licença fixa com direito a atualizações. Pelo Saas, ele aluga o software e, em lugar de instalá-lo, passa a acessá-lo pela internet em um servidor de empresas-parceiras da Microsoft. Segundo Álvaro Celis, diretor para a América Latina, esse negócio tem grande potencial de receitas porque transfere à Microsoft a manutenção e o suporte de informática.
ROCINHA chique
A empresa aérea OceanAir decidiu abrir um loja exclusiva na favela da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, para vender passagens financiadas em até 36 parcelas. O principal público da companhia são os nordestinos que moram no bairro. O vice-presidente de Marketing da OceanAir, Omar Perez, afirmou que a loja será aberta em até 40 dias e já estará operando para as festas de final de ano. A empresa calcula em 30 mil os potenciais passageiros entre os meses de dezembro deste ano e fevereiro de 2007. “Nós consideramos a Rocinha um bairro importante do Rio, com 250 mil habitantes, sendo metade de nordestinos. Esse pública utiliza o ônibus como meio de transporte, nas férias e para visitar os seus parentes. Vamos mostrar que viajar de avião é mais rápido, barato e confortável”, afirmou. As passagens serão oferecidas para todo o Brasil com pagamento facilitado em até 36 parcelas. Uma financeira vai analisar o perfil do cliente de determinar o valor do crédito que eles terá numa espécie de cartão fidelidade. Com esse crédito pré-aprovado, ele escolherá o destino e o número de parcelas. Perez afirmou que não há receio de inadimplência. “Os que melhor pagam no Brasil são os pobres”, afirmou.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.