O segredo do êxito é levantar cedo, é trabalhar, é estudar, é enfrentar, é não ter medo, é ter perseverança, é buscar a melhor saída, seja qual for o enredo. Vitória está associada a luta, como pomar a fruta, cerveja a levedo. O segredo do amor não é só conquistar, mas também cultivar, pois casamento é muito mais que dizer “sim” e pôr anel no dedo. É resistir às inconstâncias da vida como o rochedo resiste ao mar. É não se entregar, não andar a esmo, nunca desistir dos sonhos, de si mesmo. É ser doce, cordial, ledo, em vez de triste, boçal, azedo. É ser autêntico, ter personalidade própria, em vez de cópia, mero arremedo.
A australiana Rhonda Byrne, no cultuado “O Segredo” (em livro e DVD), afirma: “Tudo o que acontece na sua vida é você quem atrai. E a atração se dá pelas imagens que você carrega na mente. É o que você está pensando. Aquilo que está na sua mente é o que você atrai para si”. Com promessa de sucesso fácil, ‘O Segredo’ vem causando furor e quebrando recordes de vendas no campo da auto-ajuda. Para a autora funcionou; ela ficou milionária. O ‘segredo’ a que Rhonda se refere é a “lei da atração”, ou seja, a pessoa atrai aquilo que pensa. O que ela alardeia ter descoberto em 2006 já consta da obra ‘O triunfo em 16 lições’, de Napoleon Hill, lançada na década de 40.
Vou pôr a mão em vespeiro. A quem acredita que “o homem é o que pensa, atrai o que pensa, controla tudo pelo pensamento”, pergunto: Thomas Edison concentrou-se, estalou os dedos e deu-se a luz? Santos Dumont mentalizou algo que vencia a lei da gravidade e no dia seguinte conseguiu voar? Henry Ford, com o pensamento fixo nos carros em série, dormiu pobre e acordou rico? É óbvio que não. Para mim, o homem não é o que pensa: é o que faz. O pensamento positivo é melhor do que o negativo, cultivar bons pensamentos é benéfico, desejar algo é o primeiro passo para alcançá-lo. Mas não é só. As pessoas gostam de se deixar seduzir por “fórmulas mágicas”, que supõem tornar fácil o sucesso, a realização. Mas é ilusão. Não existe fórmula mágica.
Otimismo só conjuga com realismo. O realista enumera os obstáculos e prepara-se para superá-los. O otimismo vem em seguida para estimular e mostrar que com afinco se chega lá.
O que aproxima o objetivo é a ida a ele, não o contrário. O desejo, por mais ardente, não se realiza sem ação. Somente concentrar o pensamento naquilo que se quer não leva à obtenção.
A pessoa com fome só pensa em comida; nem por isso a obtém do nada. Ou não há fome no mundo? Ao contrário do que se tenta mostrar, o pensamento positivo não é um ímã. Ele não atrai: empurra. É o propulsor, o ponto de partida, o “start”. Pode ser muito útil se levar à motivação. A necessidade é o combustível psicológico que faz o ser humano pensar e agir. Porém, quem quer mais da vida tem de ter motivação, que, vale dizer, não é algo que se incorpora à nossa pessoa a um simples toque. Toda virtude precisa ser exercitada, até se tornar hábito e fluir por si mesma, naturalmente.
Pensamento sem ação é gestação sem parto. É a ação que remete ao resultado. O que se conquista é reflexo do que se doa. O cobertor de que você se socorre nas noites frias não lhe aquece; só devolve o calor que o seu corpo passa a ele. É possível dar rumo diferente a muita coisa, porém, por mais que pensemos positivo, por maior que seja nosso magnetismo, há incontáveis fatos da vida sobre os quais não temos nenhum poder. Sou otimista, mas sei que meu livro vai mofar nas prateleiras se eu não procurar meios alternativos de vendas. Ele não traz segredo, não ensina a vencer na vida sem fazer força.
PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça e autor do livro “Pensando na Vida”
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