Omni: sucesso e fracasso lado a lado


| Tempo de leitura: 4 min
Morador do Leporace que prefere não se identificar mostra BO lavrado contra a Omni: empresa é contestada judicialmente
Morador do Leporace que prefere não se identificar mostra BO lavrado contra a Omni: empresa é contestada judicialmente
Um negócio muito, muito, muito, mas muuuuito arriscado. Assim pode ser definida a proposta da Omni International, uma empresa que afirma ter seu foco na venda de produtos pela internet e que oferece compensação, em dinheiro, para novos adeptos conquistados. Com cerca de mil integrantes em Franca, há registros de sucessos, mas parte dos que se associaram à empresa se diz insatisfeita. Alguns já procuraram, inclusive, a polícia e fizeram boletins de ocorrência contra corporação. A proposta é encantadora: montar uma loja na internet que será integrada à Omni International, um shopping virtual com 36 milhões de visitas por mês. Lá, o associado pode vender qualquer tipo de produtos e negociar com o mundo todo sem a necessidade de ter os produtos em estoque, campanha de marketing ou sequer um sistema de entrega próprio. O diretor de Marketing da empresa, Felipe Mangabeira, explica. “Temos um sistema em que tanto a loja quanto a gestão são online. Com isso, o pequeno e médio lojista consegue, por meio do nosso marketing, concorrer com grandes nomes do e-commerce, como lojas Americanas.com”. Para se associar à Omni, é preciso pagar uma taxa de R$ 4,5 mil. O dinheiro dá direito a uma página no portal da organização, além da infra-estrutura necessária, como logística, manutenção do site e as negociações com os fornecedores. O associado paga, ainda, mais R$ 70 por mês para hospedar sua página. Feito o negócio, o novo associado recebe um treinamento. A presença em reuniões da empresa é obrigatória - são quatro encontros semanais, às terças, quintas, sextas e domingos. De semana, a reunião custa R$ 5. Aos domingos, R$ 50. Em Franca, os eventos acontecem no Shelton In Hotel. Lá, músicas animadas, pessoas bem vestidas - ternos, para homens, e vestidos, para mulheres, são obrigatórios - e muitas salvas de palmas animam o visitante de primeira viagem. Como em uma celebração religiosa, exemplos de sucesso e mensagens de que o sucesso é possível abundam. Após a reunião, é feito a análise para ver se a pessoa se encaixa no perfil. Os novatos são orientados a falar sobre os sonhos. Os mais modestos são descartados. “É preciso pensar grande para entrar na Omni” é uma frase comum na boca dos mais experientes. O PROBLEMA Embora a empresa faça questão de ressaltar que trabalha com vendas no mercado da internet, o sistema se assemelha, em muitos pontos, às tradicionais pirâmides, modalidade arriscada de negócios mantida pela permanente entrada de novos associados. A pirâmide funciona assim: Eduardo convence José a entrar no negócio. Para entrar, José investe uma certa quantia de dinheiro, que é repartido entre Eduardo e os demais membros da pirâmide. Quando José convencer qualquer outra pessoa a entrar no negócio, receberá parte do que ela investir, assim como Eduardo. Mangabeira, porém, refuta a idéia de que o negócio funciona como uma forma de pirâmide financeira. “Quando a gente fala em pirâmide, fica aquela coisa que a gente só ganha dinheiro com a indicação das pessoas. Falar em pirâmide é querer simplificar o esforço de uma empresa que tenta levar para o pequeno e médio empresário oportunidades de competir com grandes. A gente sofre muito com esta imagem negativa”. O que o gerente de marketing esquece de dizer é que a indicação de um amigo, no entanto, gera um lucro considerável. Para o primeiro indicado, o associado recebe R$ 360, valor que sobe para R$ 670 na segunda indicação e, a partir daí, R$ 1.030 para cada novo sócio que entra após receber seu convite. Os mais experientes na Omni podem, ainda, tornarem-se o que a empresa chama de “consultores”. Com isso, além da remuneração pela indicação direta de associados, o consultor consegue ganhar parcelas sobre o dinheiro trazido por novos adeptos conseguidos pelos seus indicados. Para Mangabeira, o objetivo do sistema não é o de apenas indicar as pessoas para ganhar dinheiro, mas sim possibilitar ao associado ter fluxo de caixa. “É um jeito que a gente conseguia fazer para o associado gerar uma renda extra para poder investir na loja dele. Mas a gente não encoraja a indicação de pessoas somente para o benefício financeiro de quem indicou. Somos totalmente contra isso”. Em relação aos lucros, Mangabeira diz que não existe um valor certo e será definido de acordo com a atuação do proprietário da loja. No processo, quem tem uma rede de relacionamentos maior ou mesmo aptidão para vendas consegue se sobressair, mas para quem não tem, o fracasso é o caminho natural. “É a mesma coisa que pegar uma amostra de 40 padarias e tirar a média de quanto eles ganham. Vai ter um cara que ganha R$ 1 milhão e vai ter outro que ganha R$ 5 mil por ano”. Mangabeira diz não ter autorização para informar o faturamento da empresa, que tem 12 mil lojas operando.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários