“Pelo telefone o chefe da polícia mandou avisar...”. Versos de Mauro de Almeida, musicados por Donga, cantados por Bahiano. Isso em 1917, ou seja, apenas 31 anos depois de nosso imperador, Pedro II, segurando o aparelho inventado por Grahan Bell, ter dito numa sala da Filadélfia, que abrigava as mais recentes invenções: “Isso fala!”.
Quinze anos depois de Donga, 1933, era a vez de Carmen Miranda fixar nos anais fonográficos “Alô, alô/ responde!”. O tema ‘telefone’ seria retomado incontáveis vezes ao longo do cancioneiro brasileiro. Uma explicação para esse gosto teria raízes mais profundas, que se começaram com Pedro II, que trouxe o telefone para o paço imperial, no Rio, em 1886, continuaram com o Padre Landell de Moura, em Campinas, que era cientista e conseguiu transmitir e receber mensagens faladas usando um aparelho rudimentar que funcionava sem uso de fios. Isso em 1900.
O próximo e valioso capítulo da história da telefonia no Brasil seria escrito por aquele que em 1907 nascia em Portugal: Alexandrino Garcia, responsável por imprimir ao Brasil uma revolução na área.
A história de Alexandrino é a maior ilustração dos que defendem a tese de que começar a trabalhar cedo não mata ninguém. Ao deixar o país natal com a família, rumo ao Brasil, aos 12 anos, Alexandrino já tinha trabalhado muito na lavoura, pegando na enxada. E aqui começou como servente de pedreiro, passou a ferreiro, depois foi mecânico, teve experiência como motorista de caminhão de fretes...
O PRIMEIRO NEGÓCIO PRÓPRIO
Seu primeiro negócio próprio foi um pequeno armazém de cereais. Após viria um posto de combustíveis. Em seguida, uma revendedora de automóveis. Sorte? Não. Trabalho, tenacidade, disciplina e ética.
Entre 1953 e 1955 presidiu a Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uberlândia. Foi nesta época que liderou a constituição da sociedade anônima que assumiria o controle da Empresa Telefônica Teixeirinha. Esta, em 1954, se tornaria a Companhia de Telefones do Brasil Central - nossa conhecidíssima CTBC.
A nova empresa expandiu-se rapidamente. Consolidou-se em dezenas de cidades do Brasil Central, sempre com a marca da inovação e do pioneirismo. Só cresceria e se solidificaria sob o nome de ALGAR - uma união feliz e eufônica das iniciais do nome do empresário: Al de Alexandrino e Gar de Garcia. Em 1987, aos 80 anos, Alexandrino precisou afastar-se dos negócios, com problemas de saúde, sendo substituído por seu filho, Luiz Alberto Garcia, atual presidente do Conselho de Administração da Algar.
MEMÓRIA
Se você se interessou por uma história de vida tão rica e estimulante, não perca a exposição Alexandrino Garcia- 100 anos: memórias, idéias, ideais, no Franca Shopping até terça-feira.
Percorra-a detendo-se nos depoimentos que revelam um ar de deliciosa espontaneidade. Olhe as fotos, leia os textos. Pense que a memória que retemos pode configurar uma pessoa de uma forma muito mais profunda que uma fotografia.
Essa é a riqueza da exposição: os depoimentos de quem conviveu com Alexandrino Garcia no cotidiano e soube testemunhar suas qualidades. São pessoas (algumas de Franca , muitas da região) que vão esboçando a imagem de um homem singular na coragem, na vontade de vencer, na ousadia, na inteligência, no discernimento entre o novo e o velho, na aposta no renovo. Há telefonistas, funcionários da CTBC, da Algar, amigos, políticos, familiares, clientes, empresários, simples conhecidos, todos admiradores da figura “profética no mundo dos negócios”, como define Celso Machado, que foi Alexandrino Garcia.
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