Grades arrombadas, tiros, ocupação pela tropa de elite e celas revistadas. A cadeia do Jardim Guanabara voltou a viver horas agitadas ontem. A rotina foi quebrada pela tentativa de fuga de presos de três celas. A rápida intervenção dos policiais de plantão evitou que pelo menos 50 bandidos conseguissem escapar.
Em resposta, a polícia fez uma varredura no presídio e cortou regalias concedidas aos criminosos envolvidos na confusão.
A atenção de um carcereiro foi decisiva para frustrar a fuga em massa. Do alto da guarita, o policial ouviu barulhos vindos do pátio e avistou vários presos no corredor. Deu tiros de advertência e chamou reforço.
Diante da reação inesperada, os detentos voltaram correndo para as celas. Em poucos minutos, policiais da Força Tática cercaram o presídio, enquanto o GOE (Grupo de Operações Especiais) entrou e fez uma vistoria para checar as condições de segurança do prédio. “Constatamos que as celas 10 e 26 estavam com as grades serradas, sendo possível passar uma pessoa de porte médio. Entre os xadrez 10 e 11 havia um buraco na parede permitindo a ligação entre eles. Isto induz que os detentos destas celas poderiam ganhar o pátio e as ruas”, comentou o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
Cada cela tem capacidade para nove presos, mas estava com 17. Caso a fuga não tivesse sido frustrada, 51 criminosos, entre assaltantes, traficantes e autores de latrocínio, poderiam ter escapado. Entre os detentos dos referidos xadrez, está Maurício do Prado, 35, o “Sapo”. Suspeito de integrar o PCC, é apontado pela polícia como o líder de uma quadrilha que arrecadou mais de R$ 500 mil com assaltos na cidade no começo do ano. Também estão lá Martinho Ribeiro Neto, 25, acusado de matar para roubar o sitiante aposentado, Antônio dos Reis, 70, em abril passado, e os irmãos Alessandro e Adriano Rizati, que foram presos por tráfico no mês passado e que faziam parte do programa estadual de proteção à testemunha. Todos poderiam ter fugido.
[FOTO2]
Como não conseguiram, serão penalizados. “Os presos das três celas ficarão sem visitas e estarão proibidos de receber a sacola com alimentos e produtos de higiene por tempo indeterminado”, determinou o delegado Wanir.
Controlada a situação na cadeia, os integrantes do GOE vistoriaram as celas, grades, paredes e subsolo para verificar se havia passagens que poderiam ser usadas em novas tentativas de fuga. O estado de alerta será mantido durante todo o fim de semana para evitar surpresas. “Todos os policiais da DIG estão de prontidão. Se ocorrer alguma eventualidade na cadeia, nos reuniremos em poucos minutos e estaremos prontos para agir”.
O presídio do Jardim Guanabara tem capacidade aceitável para 218 presos, mas abriga 389 atualmente. A direção acredita que a superlotação e as constantes tentativas de fuga só devem acabar com a construção do CDP (Centro de Detenção Provisória). Apesar de anunciar que obteve a licença ambiental, a Secretaria de Administração Penitenciária ainda não tem previsão para o início das obras.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.