Nos seus tempos de oposição, o PT esmerou-se em fazer tempestade em copo d’água para criar crises políticas artificiais ou reais. Como oposição, o PSDB faz o mesmo jogo, a ponto de aliar-se a uma ultra-direita barra-pesada.
Petistas históricos, tucanos históricos estão órfãos. Mas para onde ir?
De seu lado, a chamada grande mídia usa politicamente os escândalos, denunciando de maneira seletiva. Exemplo? Denunciou-se o ‘mensalão’ do governo federal. Depois, constatou-se que havia um “mensalão” mineiro.
Em breve será revelado o “mensalão” paulista, mostrando alianças entre o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. O mesmo esquema controlou a Nossa Caixa e o BRB, financiou as mesmas ONGs e as mesmas publicações ligadas aos tucanos. E, possivelmente, o mesmo Marco Valério estava por trás do esquema Roriz - já que sua agência era uma das que serviam ao GDF (Governo do Distrito Federal).
É questão de tempo para o Ministério Público completar as investigações.
Todo esse estoque de escândalos fica guardado, como produtos em gôndolas de supermercados. Aí o jornal ou a televisão escolhe o alvo que quer atingir, vai na prateleira, tira o produto, desembrulha e transforma em escândalo.
Os atingidos reagem com a indignação dos inocentes; a oposição, com a indignação dos justos. E ambos sabem que tudo não passa de uma enorme marmelada.
A tragédia dessa história é que a hipocrisia chegou a tal nível que praticamente transfigurou os partidos políticos. Vinte e cinco anos após a redemocratização, não existem mais partidos políticos programáticos; não existem centros referenciais de pensamento político e econômico; e não existe uma opinião pública que sirva de referência - como ocorreu, bem ou mal, nos anos 80 até meados dos anos 90.
Essa falta de rumo abre espaço para chantagens políticas e jornalísticas de toda espécie. Suponha que, de repente, um presidenciável queira romper com o discurso mercadista e lançar uma nova bandeira. Imediatamente uma dessas grandes publicações irá até a prateleira, escolherá um escândalo novo ou velho, inédito ou conhecido, e transformará em arma para atingir o indigitado.
Com isso, têm-se hoje presidenciáveis que poderiam estar brandindo um novo discurso, e que quedam inertes, à mercê desse jogo hipócrita.
Parte da opinião pública se dá conta dessa hipocrisia. Mas para onde caminhar? Partidos políticos, não mais existem. A perda de rumo é total, entre outras coisas porque estão ocorrendo transformações profundas na sociedade brasileira, que resultarão inexoravelmente em mudanças.
Que tipo de mudanças? Nem mesmo um oráculo poderá prever.
FRAUDE NO INSS
Após quase um ano de investigação, a Força Tarefa Previdenciária prendeu ontem na região de Mossoró (RN) 23 pessoas acusadas de fraudar benefícios previdenciários - oito são servidores do INSS. A Força Tarefa é composta por servidores do INSS, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Entre os detidos estão o gerente-executivo e o chefe da agência local e intermediários como advogados, uma secretária de Sindicato de Trabalhadores Rurais e beneficiários ou representantes legais.
Também foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, um deles na agência de Mossoró. Os presos são acusados de falsificar documentos e aliciar pessoas que se apresentavam no INSS como trabalhadores rurais ou desempregados, para obter salário-maternidade, pensão por morte, auxílio-reclusão e aposentadoria por idade. Os servidores inseriam dados falsos no sistema informatizado da Previdência e agilizavam a tramitação dos processos. Também foram produzidas declarações falsas de cárcere para a obtenção do auxílio-reclusão, concedidas pensões por morte com provas forjadas de união estável, concedidos benefícios de pensão por morte e aposentadoria por idade rural após a reabertura de processos indeferidos há mais de 12 anos.
SAFRA 2007
Estimulada pelos preços dos grãos do mercado internacional, a safra de grãos no próximo ano deverá bater um novo recorde. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a colheita do período 2007/2008 deverá ficar entre 134,9 milhões de toneladas e 138 milhões de toneladas, o que representa um crescimento entre 2,6% e 5,2% sobre a safra atual (2006/2007). “Essa confirmação depende das variações climáticas que, segundo as análises, parecem bem positivas para o período”, afirmou Sílvio Porto, diretor de Logística e Gestão Empresarial da Conab. Um dos principais motivos para o aumento da safra é o plantio da soja. A safra deste grão deverá sofrer um aumento de até 4,9%, chegando a 61,3 milhões de toneladas. Outro destaque é a cultura do milho (1ª safra), que deve subir até 4,6%, chegando a uma colheita de 38 milhões de toneladas. A colheita atual destas duas culturas foi de, respectivamente, 58,4 milhões de toneladas e 36,4 milhões de toneladas.
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