Quem não se comunica


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Recente pesquisa realizada pela Nielsen Consultoria revelou que os brasileiros “são os que mais acreditam em propaganda”. Vinte e quatro mil e quinhentas pessoas de quarenta e sete países participaram da pesquisa realizada pela Internet. Os números finais do estudo dão conta de que dois em cada três brasileiros, cerca de 67%, disseram confiar em propaganda. Apesar da pesquisa ter sido publicada somente na última terça-feira pela mídia nacional, o dado parece não ser novidade para muitos, principalmente para aqueles envolvidos diretamente na direção do País. Para se ter uma idéia de como as coisas funcionam no “País de todos”, só para publicidade institucional a presidência da República tem um orçamento médio anual estimado em R$ 150 milhões. Se somarmos os valores gastos em publicidade pelas estatais os números ficam ainda mais encantadores. Em 2006 só com publicidade em canais de televisão o governo federal gastou até o mês de novembro R$ 479,6 milhões. Desde 2001, quando o governo passou a divulgar os gastos com publicidade os valores só fizeram crescer. Em 2005, por exemplo, o valor total gasto em publicidade foi de R$ 569,7 milhões, um recorde. Somando-se televisão, rádio, jornais, revistas e outras mídias o governo federal gastou em 2005, R$ 888,4 milhões, ou seja, quase R$ 2,5 milhões por dia. Está assustado? Então considere que esses números revelam apenas os valores com a veiculação da publicidade, não incluindo, portanto, gastos com o pagamento às agências de propaganda. Considerando isso, o mercado estima que os gastos do governo federal com propaganda ultrapassem a marca de um R$ 1,5 bilhão, cerca de cinco milhões de reais por dia. Pior que os números só há duas coisas nessa triste história. A primeira é que grande parte dessa publicidade mostra como vantagem o que o governo deveria fazer por obrigação. A segunda e pior delas é que considerando os números da tal pesquisa sobre crença em propaganda, o Brasil deve estar literalmente entorpecido pelas ações de publicidade realizadas pelo governo federal. Como diria o Velho Guerreiro, quem não se comunica se trumbica! E assim caminhamos nós. Nosso suado dinheiro dos impostos usado para nos convencer de que o que está ruim não é tão ruim assim e pode melhorar, e que o que é bom está ficando cada vez melhor. Acho que já assisti esse filme, mas tinha outro nome e outra cara. Mas que já assisti, isso eu não tenho dúvida. ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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