O Porto Digital, em Recife, tornou-se uma referência para os serviços de informática no País. Montado há alguns anos, através de um trabalho persistente do governo de Estado, e dos esforços de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco.
O Porto foi montado no centro velho de Recife, permitindo a convivência entre os pesquisadores, o contato com a cultura pernambucana e a recuperação de zonas urbanas degradadas.
São dezenas de empresas trabalhando em todo tipo de plataformas.
A maioria desenvolve em Java - um tipo de linguagem de programação criado pela Sun, fabricante americano de computadores. A nova coqueluche, especialmente para desenvolvimento de aplicações para a Internet, é o Ruby, nova linguagem.
O grande concorrente do Java é o Dot Net, linguagem de programação da Microsoft que substituiu os antigos sistemas “asp”. É uma disputa feroz. O coração dos desenvolvedores balança pelo Java, que tem a natureza de sistemas abertos - de construção coletiva. Mas recentemente a Microsoft procurou um grande desenvolvedor de sistemas hospitalares, que trabalhava em Java, e lhe fez uma proposta irrecusável: se mudasse para o Dot Net lhe forneceria todos os sistemas, garantiria o salário de um grupo de desenvolvedores e incluiria os produtos da empresa em seu catálogo mundial.
De uma maneira geral, as empresas, mesmo as menores, não têm fanatismo ideológico pelo software livre - aquele em que uma comunidade se reúne, desenvolve e compartilha sistemas. Mas o modelo de negócios está caminhando inexoravelmente nessa direção.
Muitas empresas montam parcerias com pequenos ou médios desenvolvedores americanos, que trabalham em rede, com sistemas próprios. Utilizam parte das funcionalidades desenvolvidas por eles e agregam outras. Se quiserem fechar o sistema (para que ninguém possa se aproveitar das funcionalidades desenvolvidas) precisam pagar um tipo de licenciamento.
O que se observa é uma troca grande de informações e a montagem de redes globais de desenvolvedores. Em um dos casos, uma empresa americana desenvolve sistemas adequados para comunidades. Seu faturamento anual é de US$ 5 milhões, mas está crescendo enormemente. Tem 25 funcionários na sede e 200 espalhados por vários países, trabalhando em casa e escrevendo as especificações definidas por seus analistas.
A partir da experiência dos pernambucanos, percebe-se que o modelo de trabalho em sistemas abertos já é vitorioso. Hoje em dia, por exemplo, poucos projetos novos se valem do banco de dados SQL Server, da Microsoft. Projetos mais parrudos utilizam Oracle. Projetos médios e pequenos já têm à disposição bancos de dados abertos, sem custo de licença.
Há alguns ícones nesse mercado, o maior dos quais é a Fundação Apache, que desenvolveu o servidor de Internet mais utilizado no mundo e, hoje em dia, é parcialmente bancado pela IBM. A Apache desenvolve diversas interfaces que permitem conversar com qualquer banco de dados.
É evidente que o poder de mercado da Microsoft ainda valerá por muitos anos. Mas o modelo de negócios, com as comunidades de software livre de um lado, as ferramentas de web de outro (das quais o Google é campeão) já mudou definitivamente a face da indústria de software mundial.
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