Tereza de Lourdes Macedo, 67, pensionista, mora em um “barraco” de dois cômodos com duas filhas, uma delas com problemas mentais e freqüentes desmaios. No mesmo terreno, vivem ainda uma nora e os três netos, que ela ajuda a sustentar. Para conseguir alimento, roupas e demais bens para os sete, conta com uma renda de aproximadamente R$ 460 - R$ 380 vindos da pensão de seu marido e aproximadamente R$ 80 que consegue catando latinha pelas ruas.
Com a coleta de latas, já chegou a conseguir até R$ 150, mas, hoje, com a idade avançada, sente dificuldade em trabalhar. Não consegue mais que R$ 80 por mês, o que piora ainda mais a situação da família. “Eu catava mais latinhas, mas agora não tenho muita força. Quando saio, volto mais cedo e descanso mais porque meu corpo não agüenta”.
A casa fica no Jardim Cambuí em uma rua inclinada e não tem muro e portão. A entrada é toda de terra e, quando chove, a água invade a casa pelo teto, porta e janelas. “A gente tenta proteger a geladeira e a televisão, mas nem sempre consegue. Sem muro é difícil conter a força da água e sempre temos muitos prejuízos”, disse Tereza.
A vida dela nem sempre foi assim. Quando completou um ano de idade, seus pais saíram de Itirapuã para morar em Franca. Casou-se, teve três filhas, ficou viúva com pouco mais de 50 anos e sempre trabalhou como doméstica.
As finanças foram sempre apertadas, mas, com a morte do filho, que sofreu um acidente de moto em 23 de julho deste ano, a situação se agravou. “Sempre teve carne para comer em casa, agora fica dias sem ter. Arroz e feijão sempre conseguimos, mas às vezes não tem muita mistura. Eu ganho cesta básica, mas não é o suficiente para os sete”, disse.
Com a morte do filho, a família Macedo tem direito a receber o DPVAT - que destina-se a cobrir os Danos Pessoais de Veículos Automotores - no valor de R$ 5 mil. Mas, por falta de orientação, Tereza não deu entrada nos documentos e nem procurou um advogado para se informar sobre o benefício. Além disso, depois que seu filho morreu, a nora e os netos não conseguiram nenhum serviço.
A entrada do dinheiro chegaria em boa hora para a família. “Graças a Deus, um conhecido me ajudou e pagou, com R$ 210, três contas de água que estavam vencidas. Mas estamos precisando muito”, disse.
O problema da água foi resolvido, mas não é o único. O gás doméstico está acabando e a conta de energia, no valor de R$ 46,78, venceu no dia 16 de setembro. “Ficamos um tempo sem energia em casa por falta de pagamento”, disse.
Serviço
Para entrar em contato com a família, a casa de Tereza fica na Rua Wanderley Riscolino Silva, 951, Jardim Cambuí. Qualquer ajuda é bem-vinda
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