De Ken a Barbie


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Filho único até os 8 anos, Fábio* sempre teve comportamento de mulher. Quando criança, abria mão das partidas de futebol para brincar de boneca. No início da puberdade, o interesse sexual surgiu, mas ele não desejava as meninas: preferia se relacionar com os garotos. Hoje, com 38 anos, todas as vezes que se olha no espelho enxerga-se como Fabiana. Uma mulher feliz, casada há cinco anos com o homem de sua vida e que não tem problemas em assumir sua sexualidade. Mesmo com todos os órgãos genitais masculinos, sente-se confortável com seu corpo. Mas não foi sempre assim. “Já tive muitos conflitos por ver, no espelho, uma imagem que não era a minha”, diz. Ele não é o único. Em Franca, existem cerca de 40 transexuais que passam por situações semelhantes. A crise de identidade gerada pela diferença entre o sexo de nascimento e a escolha dos transexuais poderá, finalmente, ser desfeita através do SUS (Sistema Único de Saúde). Os transexuais poderão trocar de sexo gratuitamente. A operação, contudo, só pode ser efetuada em grandes centros como São Paulo, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Campinas. A ordem veio do Tribunal Regional Federal, que determinou Ao Ministério da Saúde a incluso do procedimento entre as ações obrigatórias. Para conseguir a cirurgia, o transexual dependerá da autorização dos gestores locais do SUS. No caso de Franca, segundo a Secretaria de Saúde, o órgão responsável em administrar as operações é o Departamento Regional de Saúde - DRS VIII. Os interessados pela cirurgia precisam ter mais de 21 anos e ter diagnóstico de transexualismo, entre outras exigências. Até o momento, dos três hospitais particulares da cidade - Santa Casa, Unimed/São Joaquim e Regional - nenhum deles realizou cirurgias do tipo. Entre os ouvidos pelo Comércio, existe o desejo da mudança, mas os receios também são grandes. O estudante Edson*, 29, é um deles. Para todos, afirma chamar Katleen Martins e considera a troca de sexo uma opção possível,mas não para o momento. “Até pretendo um dia fazer, porém não agora. Por enquanto, as cirurgias estão em caráter experimental, mas, quando estiver comprovada a sua eficiência, buscarei ajuda médica”, disse. Uma das vantagens de ter o sexo alterado diz respeito aos documentos. O caso mais famoso é da atriz Roberta Close. Em 1989, a transexual fez uma cirurgia particular de readequação sexual. Desde 10 de março de 2005, Luís Roberto Gambine Moreira teve os documentos e o gênero alterado para Roberta Gambine Moreira. Já um problema, segundo os transexuais, diz respeito às conseqüências que a cirurgia pode ocasionar. Com o pênis, nervos periféricos e glândulas de lubrificação retirados, perde-se parte da sensibilidade, o que impossibilita o orgasmo peniano. Além disso, como uma vagina artificial é inserida, é preciso que a região seja lubrificada constantemente. O médico urologista Mauro Cervi, não recomenda a realização da cirurgia por enquanto. “Embora este procedimento seja realizado há anos em algumas cidades do País, a cirurgia é uma novidade para muitos médicos. Até mesmo porque pouco se é divulgado sobre o tema”. Apesar de não ser complexo - com duração em torno de 2 horas - o procedimento está em fase de teste. “Trata-se de uma intervenção em que fazemos, amputação e merece mais estudo e tempo de análise”, completou o especialista. * Nome fictício

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