Morador ‘extermina’ mais de 50 cães de rua em Sales Oliveira


| Tempo de leitura: 3 min
Cansado de esperar uma atitude da prefeitura para retirar os cães que invadiram as ruas de Sales Oliveira, um morador (ainda não identificado) resolver agir por conta própria: na calada da noite, espalhou lingüiças envenenadas por toda a cidade. Resultado: mais de 50 cachorros foram encontrados mortos. O canicídio aconteceu no final do mês de setembro e chocou a população. A polícia investiga o caso e ainda não tem pistas do “exterminador” de animais. O problema não é isolado. A superpopulação e a falta de cuidados dos donos, que não prendem os bichos em casa, afetam várias cidades da região. Pedregulho, Rifaina, Cristais Paulista e Franca sofrem com o problema. E o pior: as prefeituras deixam a desejar no recolhimento de animais, já que a maioria não possui carrocinha - apenas Franca tem o serviço. A matança noturna em Sales Oliveira gerou bastante repercussão na cidade. De acordo com a secretária de Cidadania e Ação Social, Maria de Lourdes Granville, os animais foram encontrados mortos em vários bairros. Acredita-se, já que ninguém viu, que o “assassino” tenha espalhado as lingüiças envenenadas por toda a cidade no período da noite. À prefeitura, que não agiu retirando os cães em tempo oportuno, restou recolher os bichinhos mortos. No que tange aos donos, a medida drástica surtiu efeito. Quem tinha o costume de deixar os bichinhos de estimação soltos pela rua tratou de trancá-los dentro de casa. Lourdes Granville disse que praticamente não se vêem mais cachorros transitando tranqüilamente pelas ruas. “Acabou tudo”. Depois do “extermínio”, a prefeitura busca agora outra alternativa para evitar problemas futuros, já que a cidade não dispõe de carrocinha. “Queremos montar uma ONG de proteção aos animais”, disse a secretária. Em Pedregulho, nenhuma atitude tão radical foi tomada. Mas a Casa da Agricultura abraçou a causa e promove uma campanha na tentativa de despertar a conscientização da população para manter os bichos dentro de casa. O resultado ainda está aquém do que se esperava. O veterinário responsável pela campanha, Ildeu Nascimento, disse que, mesmo com a campanha, ainda existem muitos animais soltos pelas ruas. Para reduzir a população canina de rua, Nascimento começou a tomar medidas mais drásticas. “Há pouco mais de um mês, solicitei a visita da carrocinha de Franca, que capturou 230 cães na cidade. Os cachorros foram levados para o canil de Franca”. Uma nova visita poderá acontecer nos próximos dias. Assim como em Pedregulho e Sales, em nenhuma cidade da região existe carrocinha. Quando a população canina cresce muito, algumas prefeituras solicitam a de Franca. É o que acontece em Cristais Paulista e em Rifaina. Nesta última, existe até lei para evitar que cachorros transitem livres pelas ruas da cidade (leia mais ao lado). Mas não é o que acontece. “Aqui temos um problema sério. Como a maioria das casas tem muros baixos e os portões permanecem abertos, os cachorros aproveitam para circular”, disse o veterinário da Casa da Agricultura, Eduardo Rodrigues Alves. E se nas cidades pequenas o costume é esse, em Franca não é tão diferente. O maior problema acontece nos bairros periféricos, apesar das constantes rondas da carrocinha. “Em média, capturamos 200 cães por mês e encaminhamos para o canil”, disse o chefe da Vigilância Epidemiológica, Fernando Baldochi. Destes, apenas 10% são recuperados pelos donos. Após cinco dias de permanência no canil, os animais são mortos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários