No ano em que a Jovem Guarda completa 40 anos, Franca recebe o show que vai trazer velhos sucessos de volta ao palco. Eduardo e Silvinha Araújo, Martinha e Os Vips (os irmãos Ronald e Márcio Antonucci) se apresentam na cidade amanhã à noite, na Phoenix Eventos.
Em um show com mais de três horas de duração e uma super produção - que inclui um telão com a participação de Roberto Carlos e Erasmo -, os cantores das Jovem Guarda prometem emocionar o público com O Bom, Meu Carro é Vermelho, A Volta, O Queijinho de Minas, Largo Tudo e Venho Te Buscar, entre outros iê-iê-iês da época.
Os convites estão sendo vendidos por R$ 35, R$ 45 e R$ 60. Mais informações pelos telefones 3723-8001, 9118-8809 e 7811-2517. A Phoenix fica na Avenida Hélio Palermo, 3890.
A JOVEM GUARDA
“O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada.” Descontextualizada pelo publicitário Carlito Maia, a frase do líder soviético Vladimir Lênin batizou no Brasil, em 1965, um dos programas de TV de maior audiência da época: o Jovem Guarda, apresentado pelos emergentes cantores e ídolos juvenis Roberto Carlos (O Rei), Erasmo Carlos (O Tremendão) e Wanderléa (A Ternurinha).
No auge da sua popularidade, ele chegou a alcançar 3 milhões de espectadores só em São Paulo, de onde era transmitido (em videotape, ele chegava também ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife).O programa Jovem Guarda foi o catalizador de um movimento que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock (a esta altura, no seu segundo momento, o da invasão britânica liderada pelos Beatles) e deu origem a toda uma nova linguagem, musical e novos padrões de comportamento.
Entravam em cena as guitarras elétricas (incorporadas de vez à música brasileira mais típica pelo movimento seguinte, a Tropicália), a idéia de uma música exclusivamente jovem, com signos jovens (mais até do que na bossa nova) e toda uma constelação de artistas: Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Eduardo Araújo, Martinha, Ed Wilson, Waldirene (A Garota do Roberto), Leno & Lílian, Deny e Dino, Bobby Di Carlo e grupos como Golden Boys, Renato & Seus Blue Caps, Os Incríveis, Os Vips e tantos outros. O programa de TV acabou em 1969, mas a estética da Jovem Guarda nunca deixou de estar presente na música brasileira feita a partir da década de 70.
Logo o programa saiu do ar e a Jovem Guarda se desmanchou. Cada um foi para um lado. Houve quem seguisse Roberto na carreira de cantor romântico (Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von), quem continuasse no rock (Erasmo, Leno sem Lilian, Os Incríveis) e quem se bandeasse para o brega (Agnaldo Rayol e Reginaldo Rossi, que liderou a banda The Silver Jets em Recife), música sertaneja (Nalva Aguiar, Sérgio Reis) ou mesmo rock rural (Eduardo Araújo). Os Fevers se tornaram uma das mais ativas bandas de bailes e de estúdios e os Golden Boys gravaram coros em muitos discos de MPB.
Nos anos 80, músicos brasileiros trouxeram de volta músicas da Jovem Guarda em regravações de Lulu Santos (O Calhambeque), Blitz (Biquíni de Bolinha Amarelinha, de Sérgio Murilo), Léo Jaime (Gatinha Manhosa, de Erasmo) e Patife Band (Tijolinho, de Bobby di Carlo).Remanescentes do movimento (Wanderléa, Erasmo Carlos, Ronnie Von, Bobby de Carlo, Os Vips, Os Incríveis, Martinha, Leno e Lilian, Golden Boys, entre outros) regravaram seus sucessos em uma caixa de cinco CDs e fizeram uma série de concorridos shows conjuntos.
Ao mesmo tempo, relançamentos em CD trouxeram de volta quase todo o acervo de gravações originais. Nos anos 90, as bandas de rock, mais do que nunca, regravaram o repertório da Jovem Guarda, como Barão Vermelho, os Engenheiros do Hawaii, o Skank e Paulo Ricardo.
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