Mal de Alzheimer atinge no mínimo 3 mil em Franca


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O médico Paulo Silva Santos mostra material no computador sobre Mal de Alzheimer: “Quanto mais cedo for detectado, melhores os prognósticos”
O médico Paulo Silva Santos mostra material no computador sobre Mal de Alzheimer: “Quanto mais cedo for detectado, melhores os prognósticos”
Com base nas estatísticas nacionais, pelo menos, três mil idosos sofrem do Mal de Alzheimer em Franca. A doença é caracterizada pela perda de memória e atinge principalmente pessoas na terceira idade. Sua incidência aumenta com o tempo. Chega a atingir 30% da população com mais de 80 anos. Apesar do alto índice de portadores, apenas 252 pessoas fazem tratamento pela rede pública local. Para o geriatra Paulo Silva Santos, dois fatores interferem no não tratamento contra Alzheimer: a falta de diagnóstico e desconhecimento quanto ao atendimento público. “Muitos pacientes não estão sendo tratados porque a família acha que as confusões e perda de memória, que são os principais sintomas da doença, são naturais. Há ainda o fato de muitas pessoas não saberem que o tratamento é oferecido pelo governo”. O Mal de Alzheimer não tem cura, mas as medicações ajudam a amenizar os sintomas e retardar a evolução da doença. A doença apresenta fases leve, moderada e avançada, na qual o doente fica acamado em vida vegetativa. O sintoma principal é a perda da memória. A imediata e recente são as mais comprometidas. “É comum o paciente não se lembrar o dia da semana ou o que almoçou, mas conseguir relatar episódios antigos, da infância, por exemplo”, explica Paulo. Além disso, a pessoa doente passa a ter desorientação temporal e não sabe a data se é manhã ou tarde; sofre desorientação espacial, ou seja, se perde na cidade. Juntamente com problemas de memória, o Mal de Alzheimer provoca alterações das funções cognitivas e atividades cotidianas. “O paciente deixa de tomar banho, lê e não entende o conteúdo e se torna cada vez mais dependente”, disse o médico. A vítima pode apresentar ainda alteração de comportamento, como agressividade, mania de roubo e liberação sexual. “Há registros esdrúxulos de paciente que se insinua para o filho ou filha, se masturba na cozinha, anda pelado em casa”. Normalmente, em 15 ou 20 anos, o sistema nervoso acaba totalmente comprometido e o paciente morre. As causas estão relacionadas a fatores genéticos. Para quem vive o problema, paciência e aceitação são imprescindíveis. “Tem de ter paciência, amor e dedicação. Meu marido aceitou a doença e aprendemos a conviver com ela”, disse a mulher de Roberto*, 85. Há três anos, ele começou a ter perda de memória e dificuldade para reconhecer as pessoas. Após consultas médicas, diagnosticou e iniciou tratamento contra Alzheimer. O avô dele morreu dessa doença. “Não fico revoltado. Aconteceu. Já estou com 85 anos e agradeço a Deus de ter chegado até aqui”. Não existem meios de prevenção, mas uma estratégia sugerida pelo médico Paulo Silva Santos é desenvolver habilidades cognitivas. “É uma forma da pessoa ter uma espécie de reserva intelectual, uma proteção contra os efeitos do Alzheimer”. O médico ainda recomenda que assim que a pessoa apresentar problemas de memória faça testes e avaliação neuropsicológica para verificar se não está com a doença. “Se detectada numa fase inicial, podemos administrar os medicamentos e adiar a fase em que a dependência é grande. Quanto mais cedo, melhores os prognósticos”, disse Paulo.

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